A Esponja

Criado por Narrador
esponja

No tempo em que até as coisas mais simples falavam, uma esponja e um seixo duro encontraram-se precisamente dentro de um balde de água.
A esponja, porque é esponja, começou a beber, a beber cada vez mais água até ficar toda ensopada e cheia de água. Estava mesmo satisfeita. O seixo, que alguém colocara no fundo do balde, não se sabe bem porquê, mantinha-se assim mesmo como uma pedra dura e roliça.
A esponja iniciou o diálogo com o seixo. Disse:

— Gosto de estar embebida em água fresca. Conservo esta água em mim e posso assim refrescar as pessoas que me utilizam para lavar o que está sujo. O seixo, que continuava duro sem que a humidade nele pudesse entrar, respondeu:

— Eu sou cioso da minha intimidade. Ninguém, nem sequer esta água que nos inunda, conseguirá penetrar em mim. Se me abrirem, estarei totalmente seco.

A esponja respondeu:

— E não sentes tristeza por seres assim tão duro de coração, incapaz de dar sequer como eu um pouco de água fresca?

A questão está em sermos como a esponja ou como a pedra. A esponja assimila tudo o que pode de bom, como a água fresca que sacia a sede. A pedra permanece fria, dura e agressiva para sempre. Será que há pessoas com um coração de pedra?

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