A Kati recebe uma visita

Criado por Narrador
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A Kati acordou depois de um sono pouco tranquilo, voltou-se e olhou para a janela. Passavam nuvens do lado de fora. Estava uma manhã húmida e enevoada. A Kati mergulhou de novo debaixo dos cobertores, puxando os até às orelhas. Havia já alguns dias que a doentinha estava de cama. Este principio de dia deprimiu a menina. Ela começou a choramingar e quando um pouco mais tarde a mãe entrou no quarto, deu com a filha de olhos vermelhos e voz rouca.

“Que tens, Kati?” perguntou a mãe, admirada. De novo as lágrimas começaram a correr, enquanto a Kati contava as suas mágoas entre soluços. “Filha, eu nunca pensei que tomasses tanto ao trágico uma pequena decepção. Ainda há pouco tempo estavas com febre. E desta vez estiveste doente mais tempo. Não posso tomar a responsabilidade de te deixar levantar num dia tão chuvoso e frio,” explicou a mãe. “Todos os meus colegas se vão divertir no jardim-de-infância, só eu…” E a Kati nem podia falar. A voz tremia-lha e, de novo os olhos se lhe encheram de lagrimas.

“Eu sei” disse a mãe, cheia de compaixão, “que hoje há a festinha na escola e depois as crianças vão brincar para o pátio. Mas o ser humano não pode mandar no tempo e ainda bem que assim é. Também sabes que ainda ontem tínhamos dito que uma boa chuvada faria bem ao nosso jardim e a todos os prados. E agora, por causa disso, estás com uma cara dessas. Vamos lá, Kati!”

“Sim, respondeu a menina com uma voz um pouco mais segura, “todos podem ir, menos eu. Todo o dia estou sozinha.”

“Não é assim tão certo, isso” afirmou a mãe. “Talvez algumas das tuas amiguinhas, venham contar-te como é que as coisas se passaram.” “Prefiro não ouvir, visto que não posso lá ir eu própria,” opôs-se a Kati. “Se queres estragar o dia todo, só porque Deus enviou a chuva preciosa, então não tenho mais nada a dizer. Mas pensa bem que depende sempre de nós a maneira como enfrentamos as decepções. De qualquer modo, seria melhor se conseguisses levar o caso a rir.” Com essas palavras, a mãe saiu do quarto.

A Kati continuou entregue aos seus pensamentos. Mas ainda mal deixara de ouvir os últimos passos nas escadas, quando se ouviu um ruído estranho, vindo da janela. Para a Kati era um barulho conhecido. Sentou-se na cama a olhar para a janela com interesse. De repente, apareceu o Bingo, o macaco que pertencia ao tocador de realejo. Toda a gente conhecia o animal.

A Kati ficou toda excitada, pondo se aos saltos em cima da cama. Da rua, vinha o som dos chamados. O senhor Comini chamava o Bingo, querendo apanhá-lo novamente. “Que surpresa!” exclamou a rapariguinha feliz. “Vem cá, Bingo, tens de receber um presente pela tua visita inesperada.” A Kati desceu da cama, correu ao mealheiro, e tirou uma moeda que deitou no chapéu que o Bingo estendia. O Bingo tez a sua vénia habitual, agitou o chapéu, inclinou-se cortesmente, saltou de novo pela janela, e desceu pelo caramanchão, por onde tinha vindo. Alguns minutos mais tarde, a Kati apareceu à porta da cozinha, começando a contar a sua aventura, com o rosto radiante. “Agora, apesar da chuva, recebi uma visita que me deu uma boa ideia.” “Ah sim? Então o que é?” perguntou a mãe.

A Kati viu o que a mãe estava a cozinhar e ficou toda contente. “Estarás de acordo se eu convidar o acordeonista e o macaco para almoçar?” perguntou a Kati. “Podes, não tenho nada contra,” consentiu a mãe. “É um quarteto divertido: tu e o acordeonista, eu e o Bingo, na cozinha!” E assim aconteceu. A Kati contava sempre, a partir desse dia, que nunca tinha tido uma refeição tão divertida.

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