A promessa da Ilda

Criado por Narrador
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A Ilda ficou toda orgulhosa quando a mãe lhe disse que ela devia olhar pela irmãzinha, enquanto a mãe ia visitar a senhora Lehner. “Toma muito cuidado, eu volto depressa”, pediu a mãe.

“Sim, mamã”, acenou a Ilda enquanto a mãe se punha a caminho da casa de campo. Em breve virou a esquina e a Ilda deixou de a ver. A Ilda esteve então a entreter a irmãzita Margarida. Ambas estavam sentadas dentro do parque de grade. A Ilda atirava-lhe a bola e a Margarida enviava-lha de volta. Após alguns instantes, a Margarida começou a ficar cansada. Deitou a cabeça na almofada e em breve se lhe fecharam os olhitos azuis. A Ilda esperou até ter a certeza de que a irmã adormecera. Então pegou num livro e folheou-o durante alguns instantes.

“Ola, Ilda!” soou uma voz por detrás da grande nogueira. Era o Alberto que vivia a algumas casas de distância.

O Alberto era companheiro de brincadeira da Ilda. “Vamos brincar?” perguntou esta.

“Hoje não. Eu Queria que viesses a minha casa, ver os caniches que o pai comprou para mim e para o Ernesto. São tão queridos!” “Oh. eu não posso.” E a Ilda explicou-lhe que a mãe tinha saído e que a Margarida estava a dormir. “Mas gostava tanto”, acrescentou ela.

“Anda lá! A Margarida ainda vai dormir durante muito tempo e não vai dar por nada.” O Alberto agarrou na mão da Ilda, e antes de reflectir bem, esta seguiu o amiguito pela estrada poeirenta até à casa dele.

Os cãezinhos eram uns amores! Mordiscavam tudo, saltavam na relva e brincavam um com o outro. A Ilda esqueceu-se completamente da irmãzita. De repente lembrou-se. “Ai, tenho de me ir embora! Oxalá que a Margarida não acorde e se ponha a chorar — está completamente só.”

A Ilda correu o mais depressa que pôde. Mas assim que chegou ao quarto, assustou-se terrivelmente. Nem vestígios da irmãzinha. A grade estava vazia.

A Ilda desatou a chorar. “Que hei-de fazer agora? Oh, por onde hei-de eu começar? Tenho de ir ter com a mãe, a correr. Talvez ela saiba o que se há-de fazer.” Mas é que a mãe estava em casa da senhora Lehner. Havia lá o Nilo, que era um terrível cão policia. A Ilda tinha medo, só de pensar naquele cão. Quando ele ladrava, até parecia que o chão tremia. Apesar disso, pôs-se a caminho, correndo através dos campos e do bosque da colina, para chegar o mais depressa possível ao pé da mãe. Rasgava a roupa e os joelhos nas silvas. Mas ia sempre para a frente, à procura da mãe!

Assim que chegou à vedação que cercava a casa dos Lehner, parou um momento. Então um ladrar terrível percorreu os ares. Nilo!

O que é que ele vai fazer, quando eu atravessar a cerca? O coração saltava-lhe de medo. Mal podia respirar. Engoliu com força, mas em breve o cão apareceu. O ladrar dele ecoava horrivelmente. Os joelhos da Ilda puseram-se a tremer e a coragem abandonou a completamente.

“O que hei-de fazer?” Ela tinha de encontrar a mãe, mas como havia de enfrentar o Nilo? Nesse instante lembrou-se que a mãe costumava dizer sempre que Deus é bom e ajuda quando se ora de todo o coração. Este pensamento deu coragem à Ilda. Ela murmurou uma oração sincera e fervorosa. Imediatamente se sentiu mais calma, e com menos medo do Nilo. Correu para a frente, saltou por cima da vedação e não parou mais senão quando alcançou a porta aberta da cozinha da senhora Lehner.

“O que aconteceu, minha filha? A tua mãe já está em casa, certamente. Já há muito que ela saiu daqui”, disse a senhora admirada. “Obrigada, senhora Lehner”, balbuciou a Ilda correndo de novo para casa.

Assim que chegou ao portão da casa, teve vontade do gritar de alegria. À janela do quarto, encontrava-se a mãe, com a Margarida ao colo. A Ilda correu o mais depressa possível para o quarto, e abraçou a mãe, a soluçar.

Entre lágrimas, contou a sua aventura. A mãe escutou pacientemente.

“Já foste suficientemente castigada, minha filha,” disse ela, “não preciso de falar mais sobre o que se passou. Só te quero dizer como fiquei desiludida quando voltei e encontrei o bebé sozinho. Mas agora sei que no futuro posso confiar em ti. Não chores mais. agora já está tudo resolvido.”

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