A Trudi e o bolo de abóbora

Criado por Narrador
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“Trudi, Trudi!” chamou a Dona Bela.

“Sim, mãe, estou aqui”, soou a resposta vinda da sala de estar.

“Trudi, esta noite ainda tenho de dar um salto a casa da senhora Hintermann. Ela ainda não se pode levantar. Vou levar-lhe uma sopa quente. Não te faz diferença ficares um bocadinho sozinha em casa, não é verdade? Não me vou demorar.

“Claro que não, mãe,” assegurou a Trudi. “Vou acabar de ler a história que tinha começado, e depois vou para a cama.” “Bom, não me vou demorar mais de uma hora”. Com estas palavras, a dona Bela saiu de casa para fazer uma das suas frequentes visitas a doentes. Quando a Trudi acabou de ler a história, resolveu fazer uma surpresa à mãe, lavando a loiça que tinha ficado na cozinha. A pequena Trudi tinha quase sete anos, e já tinha ajudado na cozinha muitas vezes.

Mas naquela noite, tudo lhe sala às avessas. Pôs água demais no lava loiça, de tal maneira que transbordou e molhou o chão todo. Estava a Trudi a meio da limpeza, quando o gatinho Tipsi se pôs a miar à porta, a querer entrar. Agora ela compreendia por que era que a mãe não gostava que a interrompessem no trabalho! Mas a Trudi deixou entrar o gato e lavou e limpou a loiça. Deixou, de propósito, a loiça limpa em cima da mesa da cozinha, para que a mãe a visse logo que chegasse.

Finalmente, quando a Trudi estava pronta para se ir deitar, voltou apressadamente à cozinha para ver o que era feito do Tipsi. A porta da dispensa estava aberta e então que viu ela na prateleira? Um maravilhoso bolo de abóbora. Era o seu bolo preferido! A mãe tinha-o feito nessa tarde, para que o avô, que devia visitá-los no dia seguinte, tivesse algo especial.

“Certamente que a mãe não vai notar se eu cortar só um pedacinho”, disse para consigo; “Alias, o avô gosta mais de tarte de maçã. É verdade que a mãe proíbe de comer antes de ir para a cama; mas se eu tirar só um bocadinho minúsculo, ela vai pensar que foi o pai que teve fome e comeu.” Assim, a Trudi pegou numa colher e com ela tirou um pedacinho do bolo.

“Oh, como é bom! A mamã é uma boa cozinheira!” disse em voz alta sem notar que estava a falar sozinha. Logo a seguir à primeira dentada ouviu a mãe a subir a escada.

“Ai, e agora, o que é que hei-de fazer?” perguntou a si mesma toda assustada. Então veio-lhe uma ideia. Por que não fechar o Tipsi na dispensa, para a mãe pensar que era ele que tinha comido o bolo? Como o Tipsi gostava de boto de abóbora, certamente que daria resultado. Assim, ela pôs o bolo no chão, e fechou lá o Tipsi.

Quando a Dona Bela entrou na cozinha, ouviu a Trudi a correr pela escada acima. Percebeu logo que para ali havia coisa, mas como todas as boas mães, não disse nada. Quando se pôs a arrumar a loiça limpa, notou logo o que é que não estava a bater certo. Assim que abriu a porta da dispensa, descobriu logo toda a história. O gatinho, que se devia sentir culpado lá dentro, ficou contente por se ver libertado. Mas a mãe também já tinha sido criança. Sabia muito bem como tudo se passara, mas decidiu não ralhar com a Trudi, que era o que ela merecia.

Entretanto a Trudi tinha-se enfiado na cama, na esperança- de adormecer antes de a mãe descobrir o que ela tinha feito e vir castigá-la. Mas como ficou admirada e grata de ouvir a mãe ir para a cama, sem ir ao quarto dela. Assim, tentou adormecer; mas quanto mais tentava, mais desperta se sentia. Pensava continuamente no pedaço de bolo. Sabia que tinha de pôr o assunto claro com a mãe.

Parecia-lhe que o relógio dizia: “Foste tu que comeste; foste tu que comeste. Foste tu…” Depois de cerca de uma hora, a Trudi não se pôde conter. Resolveu ir ter com a mãe e confessar tudo. Levantou-se da cama, e foi, nas pontas dos pés, até ao quarto da mãe. Oxalá que esta ainda estivesse acordada, pois ela não podia adormecer com este peso na consciência. Bateu devagarinho à porta, e ouviu a mãe dizer: “Entra, minha filha.” “Oh, mãe!” A Trudi caiu a soluçar nos braços abertos da mãe. “Nunca mais quero fazer o que fiz. Não consigo dormir! Comi do bolo. e…”

“Está bem, querida. Já sei isso tudo. Todos nós fazemos coisas às vezes, as quais mais tarde nos trazem sofrimento. Podemos estar gratos por termos um Pai no Céu. que nos perdoa tudo e nos ajuda a não voltarmos a cometer as mesmas faltas.”

“Sim, mãe, eu sei; eu não devia ter mexido no bolo, e não voltarei a fazê-lo. Mas, como descobriste que não foi o Tipsi?”

“Trudi, não penso que tenhas treinado assim tão bem o teu gato, ao ponto de ele comer bolos com uma colher! Também não era provável que o Tipsi tivesse posto o bolo no chão. Mas agora, quero agradecer-te de todo o coração por teres lavado a loiça, filha!” disse a mãe, amigavelmente, dando-lhe um beijo de boas-noites.

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