Ajudando o Tio no campo

Criado por Narrador
HeidiWeg1280x1024

Ao acabar o meu tempo escolar, passei um balo ano, nas montanhas, a ajudar o meu tio a trabalhar na terra. O que eu gostava mais, era de ir buscar lenha com o avô. O estalido de um pinheiro a cair, ou o ruído dos troncos das Árvores no vale!

Mas a lenha não era o único trabalho — longe disso. Eu tinha de ajudar no estábulo e no campo, tinha de subir os Alpes para apanhar hortaliça, muitas vezes tinha de cozinhar e fazer toda a espécie de trabalhos caseiros. O meu tio tinha também uma loja, perto da lavoura, e eu também tinha da lá trabalhar activamente. Durante horas era preciso limpar a hortaliça, seleccionar, pesar e empacotar. Algumas vezes também tinha de empacotar
rebuçados para a tosse. Era uma alegria, porque havia pedaços pequenos que não se deviam embrulhar a o melhor sítio onde eu os podia guardar, segundo a minha opinião, era na minha boca. Uma vez houve tantos bombons partidos, que quase não sobraram nenhuns para pôr nos pacotes.

Lá longe, no cimo das montanhas onde o avô já estava há alguns dias, havia muitos morangos silvestres, e por isso resolvi passar a noite com ele, sobre o feno. O caminho até aos morangos silvestres, não me pareceu muito longo, no dia seguinte. Que belo pôr do sol, lá em cima, ao pé do avô! Mas eu nem sequer podia apreciar convenientemente porque me doía a região do estômago. Talvez tivesse sido melhor eu ter parado mais cedo com a história dos rebuçados. Resolvi ir dormir. O avô deitou-se no feno e eu tive o grande privilégio de, pela primeira vez na vida, dormir numa cama de rede. Atei-a bem por cima da meda de feno, às duas vigas do tecto, e deitei-me lá dentro. Como oscilava maravilhosamente! Então, como tivesse medo de cair enquanto dormia, atei a rede com um fio a curta distância; assim nada podia acontecer. Tive dificuldade em adormecer, pois, apesar da roupa quente e da coberta de lã, estava muito frio para dormir assim pendurado no ar.

Mas finalmente lá adormeci. De repente, fui arrancado do sono pela simples razão de o meu “armazenamento” de açúcar se recusar a permanecer no meu estômago. Depressa, depressa, lá para fora! Mas a rede estava bem atada demais, e não havia luz. Puxei com toda a força até encontrar uma abertura suficientemente grande para saltar da rede abaixo. Finalmente caí na meda de feno. Precipitei-me pela porta fora e lá se foi tudo — o que me causou grande alívio.

O resto da noite passei-a no feno com o avô. Como estava quentinho, e como sabia bem lá dormir! Na manhã seguinte, caminhámos até mais longe, pela montanha acima, à procura dos morangos silvestres. Como o caminho me pareceu longo! Só com grande esforço é que lá consegui chegar ao alto e lá em cima tinha mais vontade de chorar do que apanhar morangos. Sentia me tão mal que nem podia olhar para esse. Precisamente havia ali um lindo sítio, com sombra, atrás de alguns pinheiros frondosos. Deitei-me lá um pouco, a descansar, a ver se depois me sentiria melhor. Mal me tinha deitado na relva, senti como que um ramo maçador a picar-me as costas. Com um safanão, arranquei-o e ia deito lo para longe. Mas, espera lá! Que coisa estranha era aquela? Tinha nas minhas mãos um chilre de veado, muito bonito, guarnecido de pérolas, como raras vezes se vê. (“Pérolas” num chifre, significa uma espécie de pequenas saliências e bicos duros.)

A minha alegria com aquele achado foi tão grande, que me esqueci, no mesmo instante, de todas as minhas desventuras. Nunca tinha achado uma coisa assim, e, ainda hoje, passados quatro anos, recordo, ao ver esses sítios, não só o bom tempo passado em casa do meu tio, mas também os rebuçados demasiados e a noite invulgar que passei na rede.

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