As cebolas invulgares

Criado por Narrador
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O Alfredinho encontrou, no caminho, um cartuchinho de papel. Rapidamente, olhou à sua volta, para ver se vinha algum carro. Então dirigiu-se ao saquinho, agarrou nele, e voltou para a orla do prado.

Ali, abriu o cartucho para ver o que continha. “Só cebolas!” exclamou decepcionado. “Duas cebolas castanhas. Vou levá-las à mãe. Talvez possa aproveitá-las para a sopa.”

O Alfredo pós o pacote no bolso e caminhou para casa.

“Cebolas?” perguntou a mãe quando o Alfredo lhe estendeu o pacote. “Olha, filho, isto não são simples cebolas — são bolbos de flores. Certamente que alguém os comprou para os pôr em vasos, a fim de florirem.” “Posso plantá-los agora? Ponho terra nos vasos e rego-os regularmente. Vou pôr os vasos na janela mais soalheira do quarto, onde receberão bastante calor.”

A mãe concordou; ela estava convencida que ninguém iria procurar os bolbos. Por isso o Alfredo pôde planta-los e pô-los no parapeito da janela, em vez de os deixar a apodrecer á beira da estrada.

Durante duas semanas, ele esperou em vão por alguma modificação dos bolbos. Regava-os cuidadosamente e ia ver várias vezes por dia se eles davam algum sinal de vida. A mãe dizia-lhe que ele tinha de ter paciência, até os bolbos estarem preparados. Assim foi. Eles ganharam raizes.

Uma manhã, o Alfredinho exclamou todo entusiasmado: “Mãe, mãe, vem cá ver os meus bolbos. Começaram a crescer.”

Efectivamente, via-se uma pontinha verde que era o primeiro sinal de uma folha. Ela perfurava a terra escura, orientando-se para a luz. “Tem paciência, Alfredo; tudo o que cresce necessita de tempo.”

“Sim, mãe,” respondia o pequeno “pergunto a mim próprio que espécie de flores darão os bolbos.”

Dia após dia, as pontinhas verdes foram crescendo. Em breve havia de três a cinco folhas verdes compridas em cada bolbo. Então apareceu uma outra com um feitio diferente. Tinha uma protuberância estranha na ponta. A mãe explicou que aquilo era o pedúnculo da flor, com um botão. O botão foi-se tornando maior, até que sobressaiu de entre as folhas. Então, lentamente, começou a abrir. O Alfredinho não se cansava de admirar tal maravilha. Num dia quente ele pôde ver, de fora, através da janela, uma flor magnífica.

Ficou extasiado com a beleza dela, o vermelho deslumbrante, as suas formas simétricas e os frágeis estames. Como é que era possível que de um bolbo enterrado no chão escuro, saísse uma flor tão maravilhosa? perguntava frequentemente o Alfredinho. “O Pai Celeste fez assim as coisas”, explicava a mãe, cada vez, com grata convicção.

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