Como o Zibo mereceu o seu salário

Criado por Narrador
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“Oh, papá, posso ficar com ele? E tão carinhoso e está em tão boa idade para ser treinado”, suplicou o Armando, insistentemente, segurando bem o cão. “Isso acredito eu, que ele seja um bichinho amoroso, mas nós não podemos alimentar um segundo cão”, respondeu o senhor Estêvão, com bastante firmeza. “Mas, pai, é que nós não podemos expulsar agora o pobre animal e deixá-lo morrer de fome. Deixa-me, ao menos, tomar conta dele enquanto não lhe encontrarmos um dono. Não tens nada contra, pois não, mãe?”

Um pouco mais tarde a mãe disse para o pai: “Talvez lhe pudéssemos dar essa alegria: tem tanto gosto nisso. Só mostra ter bom coração; além disso, o nosso cão Rover já está bastante velho. Já nem quer brincar com o Armando.” O pai concordou, e o Armando tornou-se o dono feliz do Zibo, que ele tinha encontrado na rua semi-morto e esfomeado.

O Zibo era um animal amável, que depressa se tornou amigo de toda a família. Até o gato comia com ele do mesmo prato, e dormia sob a mesma manta. Era exactamente como o Armando tinha pensado. O Zibo até aprendeu a fazer algumas habilidades. Saltava através de um arco, deitava-se no chão muito quieto, a fingir que estava morto e muitas outras coisas. O que lhe agradava especialmente era transportar objectos na boca.

O senhor Estêvão era comerciante de brinquedos. Quando o Armando estava na loja, e tinha de entregar os brinquedos ao domicilio, o Zibo transportava sempre os embrulhos pequenos. Um dia em que o telefone não funcionava, o senhor Estêvão enviou o cão a casa com uma mensagem que ele escrevera numa folha de papel, atando-a multo bem ao pescoço do animal. Dali em diante o Zibo passou a desempenhar toda a espécie de tarefas.

O Zibo e o Armando andavam sempre juntos. No verão, davam muitos passeios: levavam o comer e passavam quase todo o dia na floresta. O que o Armando mais apreciava era sentar se à beira do rio, a contemplar a água a correr. O seu lugar favorito era debaixo de uma árvore caída, que atravessava o rio de um lado ao outro. Muitas vezes ele atirava seixos para a água. O Zibo saltava atrás deles, e procurava apanhá-los. À hora da refeição, o Zibo recebia lealmente o seu quinhão.

De novo, amanheceu um dia magnifico. O Armando pegou no saco das provisões e saiu a passear. O Zibo corria alegremente ao lado do dono. Assim que chegaram ao sitio preferido junto ao rio, o Armando reparou numa pequena fenda no chão, mas não lhe prestou muita atenção. Daí a pouco tempo, o rapazito ouviu por baixo de si um ruído singular que o assustou. Antes que se pudesse afastar, a terra desabou juntamente com a raiz da árvore caída, enterrando o Armando parcialmente. Não havia por ali mais ninguém. Não valia de nada gritar, embora estivesse cheio de dores. Contorcendo se e arrastando se, lá conseguiu libertar os braços e uma parte do corpo. Mas as raízes, a terra e alguns ramos, comprimiam-lhe de tal maneira as pernas que ele não conseguia soltar-se mais.

O Zibo pôs-se a correr à volta do Armando, a ganir lastimosamente. Ele bem procurava afastar os ramos com o focinho, mas nada!

De repente, o Armando teve uma ideia luminosa. Ele podia enviar uma mensagem para casa, se tivesse lápis e papel. Com dificuldade procurou nas algibeiras e, finalmente, encontrou o que necessitava. Rabiscou umas palavras no papel, e atou-o com um fio que, como rapaz ajuizado trazia sempre no bolso das calças. Então atou o cordel á coleira do cão, que estava pacientemente ao pé dele.

Depois pôs a mão sobre o Zibo e falou-lhe: “Para casa, Zibo, para casa, o mais depressa que puderes.”

O cão deu mostras de entender, pondo se imediatamente a caminho, em direcção a casa. Corria tanto, que as patas mal tocavam no chão.

Os minutos pareciam horas, mas o Armando sabia que em breve alguém viria.

O senhor e a senhora Estêvão ouviram de repente, um som desusado à porta. Olharam e viram o Zibo a arranhar na porta, e a ganir de uma maneira que nunca tinha feito. A senhora abriu imediatamente a porta, e deixou-o entrar. Ela pressentiu que alguma coisa não batia certo. Assim, tirou o papel e leu a mensagem. “O Armando precisa de ajuda, temos de ir imediatamente. Levamos o Zibo connosco”, exclamou assustada. Os pais do Armando pegaram no carro e foram depressa até ao rio, ao sítio onde o rapazinho gostava de ir.

Pararam, desceram e precipitaram-se através da sebe. O Zibo saltou ladrando animado. O Armando estava muito fraco por estar naquela posição, todo torcido, durante tanto tempo. O pai soltou-lhe as pernas. Pelo manos, o menino não tinha nada partido. Agora, a mãe podia ligar-lhe as feridas e ajuda-lo de maneira a que em breve o Armando pudesse ser transportado para casa.

“Armando, desta vez o Zibo mereceu o salário”, disse o pai. “E também um louvor como salva-vidas”, completou a mãe. “Sim, devia se lhe pôr uma medalha na coleira nova”, propôs o pai. O Armando, que ia sentado atrás no carro, pôs os braços d volta do pescoço do Zibo. Nesse momento não era capaz de falar.
Depois de o Zibo ter comido um almoço especial, o Armando disse à mãe: “Penso que o bom animal o merece. Estou tão contente por o ter tratado sempre bem.”

No dia seguinte, ao voltar da cidade, o pai trouxe consigo uma nova correia na qual estava gravado o nome “Zibo”.

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