António Torrado




António Torrado nasceu em Lisboa (1939), mas com raízes familiares na Beira Baixa. Poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica, é por excelência um contador de histórias, estando muitos dos seus livros e contos traduzidos em várias línguas. Foi jornalista, editor, professor, produtor principal e chefe do Departamento de Programas Infantis da RTP. A sua bibliografia regista atualmente mais de 120 títulos, onde sobressai a produção literária para crianças, contemplada em 1988, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças. Livros seus foram, em 1974 e 1996, incluídos na Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People.

A Gaivota que não queria ser

Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba. Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa. – Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro – explicava ela às outras gaivotas. – São as pombas ou os pombos-correios. – Também há quem as cozinhe com ervilhas – interrompeu-a uma

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A Cerejeira da Lua

A Lua fita-nos quando a fitamos? Não. Nunca. Se a chamarmos deste canto da Terra, a Dama Toda Branca embuça-se de mistério e faz de conta que é a Bela Adormecida. Presunçosa. Como se toda a gente não soubesse que a Lua deixou de ser inacessível. Botas memoráveis pisaram-lhe a superfície desolada. Satélites zumbem à sua volta. Telescópios potentíssimos perscrutam-lhe todos os socalcos, rugas

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Bolacha Maria

Era uma vez uma bolacha Maria que disse que Maria, só Maria, não chegava. Queria ser, ao menos, Maria Emília. Bolacha Dona Maria Emília, com todo o respeito. As outras companheiras do pacote fizeram-lhe a vontade. Mas, quando uma bolacha Maria começa com exigências, oh! Oh! Nunca mais pára… — Pensando melhor, não dispenso os apelidos. Quero passar a ser tratada por Dona Maria

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O Gosto das Bruxas

Era uma vez uma menina que estava presa na torre mais alta de um castelo. Ela era uma princesa, mas não lhe valia de nada, porque perdera os seus pais e o reino, numa guerra que o dono do castelo, já se vê, é que ganhara. Ainda era o tempo das fadas. Por isso a menina disse, para que as paredes ouvissem: — Se

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Didi dá que fazer

Quem me contou esta história foi o Rogério, um rapazinho meu amigo, que morava no 2º direito do prédio onde eu moro. Deixou de ser meu vizinho há coisa de um ano, pouco mais ou menos. O pai dele foi colocado em Estrasburgo, que fica em França, perto da Alemanha, e, como é bom de ver, a família mudou-se também. Quando se foi embora,

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A Janela e a Montanha

A janela abria para a frente, para fora, para o ar lavado da montanha. Quem dormisse naquele quarto, ao saltar da cama, de manhã, abria a janela de dois batentes como se estivesse a respirar fundo. Enchia os pulmões de ar e os olhos de claridade. Era o primeiro exercício de ginástica. Podia ficar por aqui, de cotovelos sobre o parapeito, a apreciar a

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Apenas um Rapaz

Era uma vez um rapaz bravio que gostava de pregar partidas e fazer malandrices, só por embirração. Era muito antipático este rapaz. Mas emendou-se. Eu conto como foi. Um dia, por maldade, deu-lhe na cabeça atormentar uma pobre velhota, que vivia numa casinha pobre, à beira do povoado. Foi para uma pedreira que havia perto e pôs-se a atirar pedras e pedregulhos, que iam

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