Carlo Collodi




Numa aldeia italiana vivia Gepeto, o melhor relojoeiro do mundo. Um dia construiu um boneco quase perfeito…!
-Serás o filho que não tive, e vou chamar-te Pinóquio.
Nessa noite a Fada Madrinha visitou a oficina de Gepeto.
Tocando Pinóquio com a varinha mágica disse:
– Vou-te dar vida, boneco. Mas deves ser sempre bom e verdadeiro!
No dia seguinte Gepeto apercebeu-se que os seus desejos se tinham tornado realidade. Mandou então Pinóquio à escola, acompanhado pelo grilo cantante Pepe.
No caminho encontraram a D. Raposa e a D. Gata.
– Porque vais para a Escola havendo por aí tantos lugares bem mais alegres? – perguntou a raposa.
– Não lhe dês ouvidos! – avisou-o Pepe.
Mas Pinóquio, para quem tudo era novidade, seguiu mesmo as tratantes e acabou à frente de Strombóli, o dono de um teatrinho de marionetas.
– Comigo serás o artista mais famoso do mundo! – segredou-lhe o astucioso Strombóli.
O espectáculo começou. Pinóquio foi a estrela,principalmente pelas suas faltas, que causaram muita risota.Os outros bonecos eram hábeis, enquanto o novo só fazia asneiras… Por isso triunfou!
No final do espectáculo Pinóquio quis ir-se embora, mas Strombóli tinha outros planos.
– Ficas preso nesta jaula, boneco falante. Vales mais que um diamante!
Por sorte o grilo Pepe correu a avisar a Fada Madrinha, que enviou uma borboleta mágica para salvar Pinóquio.
Por sorte o grilo Pepe correu a avisar a Fada Madrinha, que enviou uma borboleta mágica para salvar Pinóquio.
Quando se recompôs do susto, a borboleta perguntou-lhe aonde vivia.
– Não tenho casa. – respondeu o boneco.
A borboleta voltou a fazer-lhe a mesma pergunta, e ele a dar a mesma resposta. Mas, de cada vez que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, pelo que não conseguiu enganar a Borboleta Mágica.
– Não quero este nariz! – soluçou Pinóquio.
– Terás que te portar bem e não mentir! Voltas para casa e para a Escola. – disse-lhe a Borboleta Mágica.
Depois de regressar a casa, aonde foi recebido com muita alegria por Gepeto, passou a portar-se bem.
Tempos depois, de novo quando ia para a Escola, voltou a encontrar a Raposa, que o desafiou para a acompanhar à Ilha dos Jogos. Assim que entrou começaram a crescer-lhe as orelhas e a transformar-se em burro.
Aflito, valeu-lhe o grilo Pepe, que lhe disse:
– Anda, Pinóquio. Conheço uma porta secreta…! Não te queres transformar em burro, pois não? Levar-te-iam para um curral!
– Sim, vou contigo, meu amigo.
Ao chegarem a casa encontraram-na vazia. Por uns marinheiros souberam que Gepeto se tinha feito ao mar num bote. Como o grilo Pepe era muito esperto, ensinou Pinóquio a construir uma jangada.
Dois dias mais tarde, quando navegavam já longe de terra, avistaram uma baleia.
– Essa baleia vem direita a nós! gritou Pepe. – Saltemos para a água!
Mas não puderam salvar-se … a baleia engoliu-os.
Em breve descobriram que no interior da barriga estava Gepeto, que tinha naufragado no decurso de uma tempestade.
Depois de se terem abraçado, resolveram acender uma fogueira. A baleia espirrou e lançou-os fora.
– Perdoa-me papá. – suplicou Pinóquio muito arrependido.
E a partir dali mostrou-se tão dedicado e bondoso que a Fada Madrinha, no dia do seu primeiro aniversário, o transformou num menino de carne e osso, num menino de verdade.
– Agora tenho um filho verdadeiro! – exclamou contentíssimo Gepeto.

Escritor de literatura infantil e jornalista italiano, Carlo Collodi, de nome verdadeiro Carlo Lorenzini, nasceu em Florença em 1826. Ainda muito jovem, deu entrada num seminário mas, com o alastramento do movimento de unificação italiana, apaixonou-se pela política. Assim, aos vinte e dois anos, resolveu dedicar-se ao jornalismo, pensando ser uma das melhores maneiras de batalhar pela causa nacional. Nesse ano de 1848, não só se juntou como voluntário ao exército toscano, como também fundou o jornal Il Lampione que, pelo seu carácter cáustico e satírico, viria a ser suprimido, por ordem do Grão Duque da Toscânia, na primavera do ano seguinte. Foi mais afortunado com o seu sucessor, La Scaramuccia e, em 1861, pôde ressuscitar o Il Lampione. Assumindo o pseudónimo “Collodi”, em honra da pequena aldeia toscana onde a sua mãe havia nascido, assinou comédias e artigos de imprensa, dos quais se destacam as fervorosas contribuições para o Il Fanfulla. Em 1856 conseguiu alcançar uma certa nomeada com a publicação do romance In Vapore.

No ano de 1861, quando a Itália se tornou uma nação unificada, Collodi decidiu, num ato de coerência, abandonar o jornalismo. A partir de 1870 estabelecer-se-ia como censor, no seio da Comissão de Censura para o Teatro, e como editor de revistas. A partir de 1875, foi traduzindo para a imprensa os contos de encantar do francês Charles Perrault, que havia reintroduzido os contos de encantar no coletivo popular e, em consequência da sua aceitação na Itália, resolveu dedicar-se a escrever os seus próprios contos. Assim, em 1876, criou uma série infantil cujo protagonista era o vilão Gianettino, mas o seu grande sucesso chegaria, em 1881, com a publicação no Giornale dei Bambini, do primeiro episódio de “Pinocchio”, com o nome Storia Di Un Burattino, com ilustrações de Eugenio Mazzanti. Publicou, durante este período, Macchiette (1880), Occhi e Nasi (1881) e Storie Allegre (1887), coletâneas satíricas e humorísticas dos seus artigos publicados na imprensa.

Ignorando a fama potencial da sua obra, Collodi veio a falecer, na sua Florença natal, a 26 de outubro de 1890.

pinoquio 1 - O Pinóquio O Pinóquio

Numa aldeia italiana vivia Gepeto, o melhor relojoeiro do mundo. Um dia construiu um boneco quase perfeito…! -Serás o filho que não tive, e vou chamar-te Pinóquio. Nessa noite a Fada Madrinha visitou a oficina de Gepeto. Tocando Pinóquio com a varinha mágica disse: – Vou-te dar vida, boneco. Mas deves ser sempre bom e verdadeiro! No dia seguinte Gepeto apercebeu-se que os seus

Ver mais…