Charles Perrault




Um homem muito rico e poderoso que vivia sozinho num grande palácio. Chamavam-lhe Barba Azul porque tinha uma longa e estranha barba azul-escura. Por causa disso, o seu aspecto era sombrio e todos tinham medo dele.
Um dia, o Barba Azul foi visitar uma senhora que vivia próximo do seu palácio e pediu em casamento a sua filha mais nova, que era uma jovem muito bonita. A senhora era viúva, e como não tinha muito dinheiro, o casamento da sua filha com aquele homem tão rico pareceu-lhe muito vantajoso. A filha não gostava do Barba Azul, porque tinha um bocadinho de medo dele; mas obedecia sempre à sua mãe e acabou por aceitar. Pouco tempo depois foi celebrado o casamento do Barba Azul com a jovem.
Logo a seguir ao casamento, o Barba Azul levou a sua jovem esposa para o palácio. Entregou-lhe um grande molho de chaves e disse-lhe:
– Estas são as chaves de todas as divisões da casa; podes entrar em todas, menos na que se abre com a chave de ouro. Ao dizer isto, o Barba Azul mostrou-lhe uma chave mais pequena do que as outras.
– Lembra-te bem disto – insistiu com uma cara muito séria. Estás terminantemente proibida de entrar na divisão que se abre com esta chave.
No dia seguinte, o Barba Azul foi fazer uma viagem, e a irmã da rapariga foi visitá-la com várias amigas.
A jovem recém-casada foi mostrando todas as divisões às suas amigas, que não podiam acreditar no luxo e na riqueza que tinham diante dos seus olhos.
Ao anoitecer, as amigas foram-se embora mas a irmã da rapariga ficou. A jovem esposa só pensava na chave de ouro que o seu marido a tinha proibido de usar. Tinha muita curiosidade em abrir a porta que havia ao fundo de um corredor e ver o que é que havia do outro lado.
Finalmente, a sua curiosidade foi mais forte do que a sua prudência e abriu a porta proibida.
Ficou horrorizada ao ver que, naquele quarto, pequeno e escuro, havia várias mulheres mortas!
Com o susto, a jovem deixou cair a chave de ouro, que se sujou de sangue. As mulheres que estavam naquele quarto eram as anteriores esposas do Barba Azul, e como tinham sido apunhaladas, o chão estava cheio de sangue. A jovem tentou limpar a mancha vermelha da chave de todas as maneiras possíveis, mas foi inútil. Por mais que a esfregasse e voltasse a esfregar, o sangue não desaparecia. E pensou que se o Barba Azul percebesse o que tinha acontecido, ela teria a mesma sorte das outras mulheres.
No dia seguinte, O Barba Azul regressou e a primeira coisa que fez foi pedir as chaves à sua esposa, que não se atreveu a dar-lhe a chave de ouro. Mas o Barba Azul percebeu que faltava ali a chave proibida, e disse-lhe que se preparasse para morrer.
A pobre rapariga correu à procura da sua irmã mais velha, que ainda estava no palácio, e contou-lhe o que tinha acontecido.
– O meu marido foi buscar um punhal para me matar, como fez às suas anteriores esposas! – gritou a jovem. O que é que posso fazer?
– Os nossos irmãos disseram que vinham visitar-nos hoje – disse a irmã mais velha. Tenta entreter o Barba Azul, dá uma desculpa qualquer, para ver se eles entretanto chegam.
Os dois irmãos das jovens eram fortes e corajosos; só eles as podiam salvar.
A irmã mais velha subiu à torre do palácio, para ver os seus irmãos chegarem. Entretanto, o Barba Azul apareceu com um grande punhal, disposto a matar a sua esposa.
A jovem pediu-lhe que lhe desse tempo para rezar as suas orações, e o Barba Azul concedeu-lhe uns minutos. Enquanto rezava junto às escadas da torre, gritou:
– Minha irmã! Consegues ver alguma coisa?
– Só um rebanho de ovelhas ao longe – respondeu a sua irmã.
E o Barba Azul, que tinha ouvido a sua esposa gritar, correu até onde ela estava para a matar.
Nesse preciso momento a irmã mais velha gritou:
– Vejo dois cavaleiros que se aproximam a galope! Mas o Barba Azul já estava junto da sua aterrorizada esposa, disposto a matá-la com o seu punhal, como fizera às anteriores.
Quando parecia que nada podia salvar a infeliz jovem, ouviram-se umas fortes pancadas na porta.
Eram os dois irmãos, que ao verem que a sua irmã mais velha lhes fazia gestos desesperados de dentro da torre, já desconfiavam de que alguma coisa se passava.
A irmã mais velha tinha descido para lhes abrir a porta, e eles entraram sem demora surpreendendo o Barba Azul no momento exacto em que ele ia apunhalar a sua indefesa esposa. Os dois irmãos atiraram-se a ele e mataram-no com as suas espadas.
Com o Barba Azul morto, o seu palácio e todas as suas riquezas passaram a ser propriedade da sua esposa, que desde então viveu feliz com a sua mãe e os seus irmãos, mas nunca se esqueceu do medo por que passou.

Charles Perrault nasceu a 12 de Janeiro de 1628, na capital francesa, Paris. Aluno dedicado, formou-se em direito, no ano de 1651 e foi um dos criadores da Academia Francesa de Ciências. Em 1671, foi convidado para participar na Academia Francesa de Letras. Perrault ficou conhecido após publicar histórias populares e com uma linguagem simples, que faziam parte do folclore europeu.

O seu livro mais famoso é o “Contos da Mãe Gansa”, que foi publicado em 1697. Nele havia os contos “A gata borralheira”, “O gato de botas”, “Chapéuzinho vermelho”, “Barba Azul”. O livro chama a atenção pelo fato de os personagens principais, apesar de pequenos e indefesos, vencerem o mal usando a inteligência. É notável o confronto entre o bom e o mau, os bonitos e feios, os fortes e os fracos. Foi com esta obra que Perrault inaugurou o género conhecido por “Contos de Fadas”.

Perrault, membro da alta burguesia, escrevia de forma simples e fluente, as suas histórias eram adaptações de outras histórias, mas que continham discretamente conceitos morais. Quase 200 anos depois, as suas histórias seriam re-escritas por dois irmãos, tornando-se conhecidas mundialmente. Perrault faleceu em maio de 1703

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