Fábulas De La Fontaine




Uma mosca importuna contendia
Com a negra formiga, e lhe dizia:
“Eu ando levantada lá nos ares,
E tu por esse chão sempre a arrastares:
Em palácios estou de grande altura,
Tu debaixo da terra em cova escura:
A minha mesa é rica e delicada;
Tu róis grãos de trigo e de cevada;
Eu levo boa vida, e tu, formiga,
Andas sempre em trabalho e em fadiga.
A formiga lhe disse:
“- Tu me enfadas
Com essas tuas vãs fanfarronadas,
Que te importa que eu ande cá de rastos
Com desprezo das pompas e dos fastos?
Para amparo e abrigo não há prova
De valer mais palácio do que cova.
O palácio é do rei ou da rainha,
E não teu; mas a cova é muito minha;
Eu a fiz com a minha habilidade;
Porventura tens tal capacidade?
Para aqui! Tuas prendas afamadas
Não passam de zumbir e dar picadas.
No que toca a comer, os meus bocados
Não me sabem pior que os teus guisados.
Teus lhe chamo? – Os que furtas: nesta parte.
Vai comigo, que eu uso da mesma arte;
Porém não vivo em ócio e em preguiça,
Como tu, lambareira, metediça;
Por isso te aborrecem e te enxotam
Com uma raiva tal, que ao chão te botam.
Fazem-me porventura esse agasalho?
Louvam-me em diligência e em trabalho:
Eu faço para inverno provimento;
Morres nele – ou por falta de alimento,
Ou por vir sobre ti algum nordeste,
Que para a tua casta é uma peste”.

Jean La Fontaine nasceu em uma pequena cidade da região de Champagne, chamada Chateau-Thierry, durante a Idade Moderna. Filho de um inspetor de águas e florestas, estudou teologia em Paris. Por gostar muito de literatura, Jean escreveu contos, poemas e fábulas.

Ficou conhecido após publicar um livro chamado “Fábulas Escolhidas”, em 1668. No livro, havia 124 fábulas, eram histórias de animais que, sempre ao final, continha um lição de moral. La Fontaine resgatou fábulas do grego Esopo e do romano Fedro, e também criou suas próprias, as mais conhecidas são “A formiga e a cigarra” e “A raposa e as uvas”.

Em 1654, entrou para o mundo da literatura. Até 1694, foram lançadas mais 11 coletâneas. No prefácio da primeira coletânea, deixou uma mensagem para os seus leitores: “ Sirvo-me de animais para instruir os homens”. Em 1695, La Fontaine morreu e foi considerado o pai da fábula moderna. Até hoje os seus ensinamentos são passados.

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