Dois amigos diferentes

Criado por Narrador
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Certo dia, chegou um circo a uma cidade inglesa. Nas grandes jaulas, havia animais ferozes. Naquela tarde, o ar estava quente e abafado. Até os tigres se sentiam indolentes. De repente, um tigre — um tigre real da Índia — pôs-se de pé de um salto e rugiu de maneira que tudo se assustou e o chão estremeceu.

Qual teria sido a causa da repentina excitação do tigre? Um marinheiro passava em frente da jaula. Tinha a cara bronzeada pelo sol. Tinha barba ruiva e forte, e um boné de marinheiro na cabeça. Ele voltou-se, dirigiu-se novamente à jaula e olhou para o tigre com muita atenção. Então estendeu a mãe através da grade e acariciou a cabeça do tigre com tanta naturalidade, como se se tratasse de um gatinho. Ao mesmo tempo ia dizendo ao tigre: “Olá, Billy, velho amigo! Como estás?”

Depois de ter feito festas ao tigre durante uns instantes, disse para o guarda: “Oiça, meu amigo, não se importa de abrir a porta da jaula? É um tigre companheiro de viagem e eu gostava de ir lá dentro conversar com ele acerca dos tempos passados.” O guarda ficou muito perturbado. Ele sabia que o tigre não era digno de confiança. Além disso, tinha medo que ele fugisse da jaula aberta. “Quer mesmo fazer o que diz?” perguntou o guarda. “Se quero? Evidentemente que estou a falar a sério” exclamou o marinheiro. “Olhe para o tigre. Não vê que ele me conhece?”

Finalmente o guarda abriu a jaula com uma mão, enquanto segurava na outra uma grande barra de ferro, para lhe bater, no caso de o tigre querer escapar-se. Quando a porta se abriu, toda a gente fugiu de diante da jaula.

Mas Billy, o tigre, estava demasiado interessado no amigo, para se poder importar com as outras pessoas. Depois de o marinheiro entrar na jaula, ficou muito quieto. Mas o tigre pôs-se a andar à volta dele, esfregando incansavelmente o pêlo listrado contra a roupa do homem. Então, levantou-se de repente, ficando de pé nas patas traseiras, pôs as duas patas anteriores nos ombros do marinheiro e este tirou o boné e pô-lo na cabeça do tigre. Em uma cena fantástica. Os espectadores começaram a rir, embora continuassem um pouco apreensivos quanto ao destino do marinheiro.

“Billy”, disse o marinheiro, enquanto punha de novo o boné na sua própria cabeça, “deixa lá ver se ainda sabes o Que aprendemos outrora.”

Então ele estendeu o braço direito tanto quanto podia. Com um salto magnífico, o tigre passou-lhe por cima, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

“E agora, para trás, Billy!” ordenou o marinheiro, amigavelmente. Então o grande, mas agora manso animal, saltou de novo.

“Como é que conseguiu ensinar ao tigre essas habilidades?” perguntou o guarda do lado de fora da jaula.

E batia as palmas de alegria sobre a arte e maneira como o tigre obedecia as ordens. “Oh, foi muito fácil!” respondeu Jack, o marinheiro. “Eu tratei dele a bordo de um navio, quando ele era ainda um tigrezinho pequeno. Quando ele esteve doente, cuidei dele; e quando ficou curado, ensinei-lhe algumas habilidades.”

“Agora, Billy”, disse o Jack, batendo as palmas com forca, “deita-te”.

No mesmo instante o tigre deitou-se perto do homem, exactamente como se fosse um gato. O Jack passou por cima do tigre, fez-lhe festas e acariciou-lhe a cabeça enorme.

Então, o marinheiro pôs-se a cantar e o tigre ia batendo o compasso até o chão da jaula abanar. Quanto mais alto era o canto, mais altas eram as pancadas. O Jack já ia para lembrar ao Billy outras coisas, quando o seu olhar deparou com um grande relógio.

“Olá!” exclamou, “já é mais tarde do que eu pensava. Ainda tenho de apanhar o comboio que me levará ao barco; tenho de me ir embora. Boa sorte, Billy! Sabes que até os melhores amigos têm de se separar.”

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