O banho do Pepi

Criado por Narrador
How-To-Give-Your-Dog-a-Bath[1]

A segunda-feira era o dia da lavagem da roupa em casa da senhora Becker. Ela acendia o fogão, fervia toda a roupa e enxaguava-a em água fria. Depois de o trabalho estar terminado, sobrava sempre uma tina cheia de água quente com sabão. Um dia, a senhora Becker pensou que era pena deitar fora toda aquela barrela preciosa. Aquela água quente podia ser utilizada para outra coisa qualquer.

“Vou preparar um banho para o Pepi”, disse para consigo. Então, encheu uma tina de madeira e chamou o Pepi.

O cão Pepi estava à entrada da casa, a roer um osso, que tinha escondido no jardim, há algum tempo, e que agora tinha ido buscar de novo. O pêlo dele era preto e branco, as orelhas espetadas e as sobrancelhas proeminentes. Quando viu a tina cheia de água, as orelhas abaixaram-se-lhe e a pequena cauda também. Ele detestava tomar banho.

“Vamos! lá para dentro!” Disse a senhora Becker, empurrando-o para a água. Começando pela cauda, lavou o animal todo. Esfregou-lhe bem a cabeça com a espuma. O Pepi Conservava-se quieto, como cão corajoso que era; mas sentia-se desconfortável, olhando o mundo com olhos tristes. Assim que ficou bem limpo, a senhora Becker ordenou-lhe:

“Salta la para fora, e fica sossegado!” Então atirou-lhe com água limpa para cima, para enxaguar o sabão. O Pepi ainda detestava mais isso do que a esfregadela. A água corria-lhe para os olhos, para as orelhas e para o nariz, fazendo o espirrar. Então, a senhora Becker enxugava-o bem com uma toalha velha. Finalmente, atava o, firmemente, num canto abrigado.

“Agora tens de ficar aqui até estares seco. Se te solto já, vais rebolar-te no pó, e ficas mais sujo do que antes,” dizia a senhora Becker ao seu cão, ao qual tinha grande afeição.

O Pepi sacudia o pêlo. mas ainda não se sentia bem seco. Esfregava o nariz na relva. Todas as segundas-feiras de manhã, se repetia a mesma cena. Era verão, e a água um pouco escassa. A senhora Becker dava banho ao cão cada vez que sobrava um pouco de água de lavar a roupa. Algumas vezes, ela até o lavava com uma água azulada, a fim de que o branco do pelo fosse mais brilhante. O Pepi começou a maldizer o dia da lavagem. Numa certa manhã de segunda-feira, ao ver que a dona acendia novamente o fogão para aquecer a água, ele correu para a quinta mais próxima, a qual ficava ainda a uma certa distância. Ia visitar a senhora Binggeli, como fazia muitas vezes.

“Olá, Pepi”, exclamou a senhora, “és muito simpático em me vires ver” – e deu-lhe um osso. O cão roeu o durante muito tempo, e a seguir foi enterra-lo no jardim. Finalmente, voltou para casa. Desta vez, tinha escapado ao banho detestável, pois a dona não podia ter ficado todo aquele tempo á espera dele.

Durante três semanas, o Pepi escapou-se do dia da lavagem da roupa. Todas as vezes ia visitar a senhora Binggeli, e assim fugia do banho. Na quarta semana, esta telefonou a senhora Becker: “Devo comunicar-lhe que o Pepi está em minha casa. Todas as segundas-feiras de manhã, ele vem ver-me”, disse a senhora Binggeli. “Oh, eu posso dizer-lhe por que é que ele faz isso”, replicou a dona do cão. “Ele foge por causa do banho. Todas as vezes que lavo a roupa, dou-lhe banho na água que fica.

“A senhora Binggeli desatou a rir. “Talvez para a semana ele fique em casal” Então, foi aquecer água, apesar de não ser o seu dia de lavar a roupa. Como tinha um grande depósito, não precisava de poupar tanto a água, como a senhora Becker. Quando a água estava quente, encheu uma velha tina, e pôs-lhe bastante sabão. “Vem cá, Pepi!” chamou.

O Pepi estava justamente a enterrar o osso. Ele sabia que não devia fazer buracos no jardim; mas não podia deixá-lo para ali, sem mais nem menos. Veio ter com a senhora Binggeli, e pôs o osso aos pés dela, abanando a cauda. Parecia querer dizer: “Por favor, não te zangues. Prometo nunca mais fazer covas no teu jardim!” Então ficou muito admirado quando a senhora Binggeli o pôs na água, e começou a lavá-lo.

“Como tu estás!” Dizia ela, começando a esfregá-lo metodicamente. Havia mais de três semanas que o Pepi não tomava banho e estava muito sujo. A parte branca do pêlo já estava escura. As manchas pretas e o resto do corpo estavam cinzentos, e absolutamente inapresentáveis. A senhora Binggeli esfregou- o com força, deitou-lhe água limpa para cima e secou-lhe o pêlo, exactamente como a dona costumava fazer. Depois de estar seco, penteou-lhe o pêlo, soltou-o, e deixou-o partir.

“Que cão tão limpo!” Exclamou a senhora Becker ao ver o Pepi. “Tomaste um bom banho?” O Pepi deixou descair a cauda, e olhou para a dona tristemente. “Apesar de tudo, meu velho amigo,” disse a senhora Becker, “eu compreendo-te um pouco.” E então deu-lhe um bolo e um bom almoço. Na segunda-feira seguinte, o Pepi ficou em casa, e tomou o seu banho, heroicamente resignado.

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