O companheiro misterioso

Criado por Narrador
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O Rolando vivia na cidade, no meio de muitas casas e muros altos. Quase não havia nada para ver, em matéria de pássaros, animais, florestas e prados. Mas, naquele verão, o rapazinho de sete anos, devia ir, pela primeira vez, passar as férias com o tio. O tio Max e a tia Gilda, viviam numa região de colinas e florestas, entre as muitas encostas, havia vales e barrancos profundos.

No primeiro dia em que chegou ao local de férias, o Rolando foi A floresta próxima. Tudo estava fresco e verde. Os pássaros cantavam e trinavam nas árvores. Que maravilha! O Rolando estava todo entusiasmado, e por isso soltou uma exclamação forte.

“Espera, o que é isto?” disse para consigo, muito admirado. Assim que deu o grito, ouviu nitidamente como se alguém estivesse a imitá-lo. Soava exactamente igual ao grito que ele tinha dado na floresta. Para se certificar, fez novamente o mesmo. Não se tinha enganado. A voz tornou a responder. O Rolando queria saber, onde estava escondido o rapazinho que lhe imitava a voz. Por isso gritou: “Alô, quem és tu?” Então, voltou distantemente: “Alô, quem és tu?” O Rolando ficou zangado com tanto atrevimento. Quis dizer ao outro rapaz o que pensava dele. Então, gritou alto e distintamente: “Olha lá, tu és um palerma!” Recebeu precisamente a mesma resposta. Então ficou fora de si perante tanto descaramento.

Se conseguisse apanhá-lo! Mas, apesar de procurar entre as árvores e os arbustos, não encontrou vestígios de ninguém. Aborrecido, gritou: “Cala-te, mas é!” E de novo veio a voz: “Cala-te, mas é!”

Agora o Rolando já estava a ficar farto. Nunca lhe tinha acontecido uma coisa daquelas. Voltou para casa e contou à tia a sua aventura.

Ela não ficou nada admirada. Quando o Rolando acabou de contar como aquele garoto era atrevido e mal educado, ela disse que talvez não fosse assim tão mau. “Vai outra vez à floresta, e fala amavelmente. Então verás o que acontece.” Depois de uma certa hesitação, o Rolando pôs-se a caminho. Foi parar ao mesmo lugar. Então exclamou amigavelmente: “Vem para o pé de mim!” A voz voltou, igualmente amável: “Vem para o pé de mim!” “Eu quero brincar contigo!” De novo se ouviu: “… brincar contigo!”

O Rolando procurou, procurou, como tinha feito antes, com o rapazinho atrevido. Tudo foi em vão. Por fim teve de desistir.

Quando chegou a casa, a tia explicou-lhe o Que se passava na floresta. Acontecia com a voz o mesmo que se passa quando alguém atira com uma bola à parede – volta para trás. Chama- se a este som que volta para trás, o eco. Agora, o Rolando já percebia o que lhe tinha acontecido. Então pensou, como seria interessante poder contar tudo isso à mãe, no fim das férias.

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