O cristo

Criado por Narrador
pedreiro

Terminada a Segunda Guerra Mundial, que deixou atrás de si muita destruição, os operários iniciaram as obras de reconstrução de uma aldeia.

Começaram por restaurar as casas. Ao chegarem junto das ruínas da igreja, encontraram tudo destruído. Junto ao altar, no meio de destroços, estava um Cristo sem braços.

Era uma imagem muito bela. Procuraram então por todo o lado os restos da imagem, a fim de a recomporem, mas nada encontraram.

Lançaram mãos à obra. Ergueram as paredes da igreja, colocaram o telhado. Finalmente, os acabamentos no exterior e no interior. No centro, um altar de mármore branco.

E que fazer a esse Cristo mutilado? Colocá-lo na parede do fundo, onde estava antes? Mas assim mutilado, sem braços?

Foi então que um dos presentes se lembrou que em boa ideia colocar o Cristo sem braços. Assim fizeram. Mas, ao lado, deixaram uma inscrição que dizia: «Os meus braços sois todos vós».

No dia da inauguração, todos leram a frase e ficaram surpreendidos. O sacerdote teve assunto para a homilia.

Os cristãos sabem que Cristo, depois de ter terminado a sua vida na terra, os encarregou de continuarem no mundo os seus gestos e palavras. Ele hoje não tem mãos. As suas mãos são as nossas. Não tem coração. O seu coração é o nosso.

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