O Desconhecido

Criado por Narrador
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Uma vez, um criminoso acabado de sair da prisão, vagueava pelas ruas à procura de abrigo.
Foi bater à porta de um albergue mas não lhe abriram a porta, dizendo que já não havia lugar.
Cheio de fome e de frio, foi deitar-se na soleira da porta de uma casa. Mas veio o dono e atiçou-lhe
o cão. Entretanto, fez-se noite. Vendo uma grande casa iluminada, atreveu-se a bater pela última vez. Se nada conseguisse, poria termo à vida.
O dono da casa veio abrir a porta. Era o bispo da cidade. Cumprimentou o desconhecido e mandou-o
entrar. O homem contou a sua história dramática e perguntou se aquela casa era um hotel. Disse que precisava de comer e dormir mas não podia pagar.
O bispo mandou colocar mais um prato na mesa. O homem disse que comeria mesmo à porta. O bispo
fingiu não entender e mandou preparar também uma cama. Depois disse:

— O senhor não precisa de dizer quem é. Basta-me saber que tem fome e não tem casa. Aliás, eu já sei o
seu nome…

-O senhor sabe o meu nome?

Sim, já sei o seu nome. Chama-se… meu irmão.

Mesmo no rosto desfigurado de um pobre faminto coberto de trapos é possível reconhecer aí um irmão a respeitar na sua dignidade de pessoa humana e a servir gratuitamente. Todo o governante deve conhecer estes nossos irmãos.

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