O doentinho que se tornou um bom amigo

Criado por Narrador
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Peter, o nosso fiel cão de guarda, dava uma quantidade de saltos entre a erva alta da estepe africana. De repente, estacou a farejar. Então, olhou para trás e ganiu baixinho. A minha filhita Suzi e eu, dávamos nesse dia um passeio de exploração. Pelo menos era esse o nome que a família lhe dava. O cão estava todo entusiasmado. A Suzi apressou-se a ir ver o que é que o Peter teria encontrado, a soltou uma exclamação de surpresa: “E um bebé antílope!”

Era um antílope pequenino que não devia ter mais que alguns dias. Os colonos não gostam muito desses animais, porque eles tem muito bom apetite para os feijões e a aveia. Mas quando ainda são pequeninos, toda a gente gosta de os ver. Possuem uns olhos aveludados, grandes e castanhos, um nariz preto e patas pretas, e na testa têm um tufozinho de pêlo encaracolado.

No instante em que vi o animal, compreendi quo devíamos levá-lo para casa. Ao pegar nele, vi que o antilopezinho tinha uma ferida na região do estômago.

“Ele está ferido,” disse eu à Suzi. “Temos de o levar para casa, com muito cuidado.”

“Tu podes tratá-lo”, respondeu a minha filha, que parecia confiar bastante nos meus dotes veterinários. Na verdade, eu sou veterinário, e durante o tempo que passei na Africa, tratei dos animais mais invulgares. Mas esta era a minha primeira experiência com um antílope. Foi, portanto, com uma certa apreensão que dei ao animal uma injecção para acalmar as dores. Porém este cuidado era desnecessário, pois o nosso doente era sossegado como uma boneca. Dentro de alguns minutos o animal adormeceu, como eu desejava. Então cosi a ferida, dei-lhe um remédio contra as infecções, e deitei-o confortavelmente com um saco de água quente. Quando, na manhã seguinte fomos espreitá-lo, o veadinho estava de pé, com um ar todo satisfeito. A aventura não tinha dado mau resultado. A Suzi pegou nele com cautela, e levou-o para a casa de banho, onde eu estava a fazer a barba. “Papá, que nome lhe vamos pôr?” Franzi um pouco a testa e propus: “Mico”. E assim ficou o nome.

O antílope depressa se habituou ao biberon. Sobretudo, gostava muito de leite com açúcar. Quando não estava suficientemente doce, o Mico bebia alguns golos, parava e olhava para a Suzi quase com ar de repreensão. Ao principio, o Mico tomava leite três vezes ao dia, e, mais tarde, só uma vez. E muito esquisito com a comida. Gosta de flores de trevo a agriões. Também come bem a comida das galinhas, quando esta lhe é acessível.

Não se importa de usar coleira, e assim, todos os dias, saem a passear de comum acordo uma menina pequena, um grande cão preto e um antilopezinho chamado Mico.

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