O Escurinho e o Lobo Bom

Criado por Narrador
lobo

Havia um carneirinho, coitado, de quem ninguém gostava. Diziam que era muito feio e não sabia brincar.
Num certo dia, todo o rebanho foi pastar para a serra e Simão, que era o filho mais novo do senhor Agostinho, pediu ao pai para também deixar ir o “Escurinho”.
Lá mesmo no alto da serra, enquanto as ovelhas e os carneiros mais velhos se deliciavam comendo carqueja e outras apetecidas pastagens, todos os carneirinhos brincavam. Saltavam alegremente de pedra em pedra, mas o pobre do Escurinho nem vontade tinha de brincar. Ninguém lhe ligava nenhuma, antes pelo contrário, faziam troça do pobre animal.
O dia estava muito bonito e apetecia mesmo andar naquela bela serra, retouçando nas finas ervas, cabriolando, a balir…
Escurinho, muito pensativo e desgostoso por ninguém brincar com ele, vivia na maior tristeza do mundo. Contudo, ainda acreditava que, qualquer dia, haveria de encontrar alguém que com ele brincasse e se tornasse seu amigo.
Desviando-se do rebanho, escondeu-se por detrás de uma penedia, onde ninguém o podia ver, e começou a chorar de desgosto.
Escurinho acabou por adormecer e, quando acordou, já não estava mais ninguém na serra. Disse então:
– Estou perdido!!! Meus Deus, vou ser comido pelos lobos!
E começou a gritar bem alto:
– Socorro, socorro!
Para seu espanto, ouviu uma voz:
– Olá! Estás perdido?
Olhou para trás e viu uma enorme loba. Assustado, pediu-lhe:
– Por favor, Loba, não me comas, por favor, ouve-me primeiro, não me comas…
A Loba sorriu e disse-lhe:
– Não tenhas medo…
Com tais palavras, o coração do Escurinho voltou ao normal! E perguntou-lhe:
– Então não me vais comer?!
– Não – respondeu a Loba. – Sabes, nós, hoje, já não somos tão maus como contam as histórias de antigamente. Somos poucos e os homens gostam de nos ver. Então, tratam-nos muito bem, dão-nos de comida e, quando estamos doentes, dão-nos medicamentos e, enfim… temos tudo o que precisamos! Não temos necessidade de sermos maus, como dizem por aí os teus amigos!
– Amigos? Eu nunca tive um amigo!
– Não acredito! – respondeu a Loba. – Não vejo razão nenhuma para que isso aconteça, pois tu és um lindo carneirinho…
– Achas?!
– Estou a ser muito sincera contigo…
– Mas tu achas mesmo?!
– Sim, acho, ou antes, tenho a certeza! Como prova disso, vou fazer-te um convite…
– Então, não me digas que queres ser minha amiga…
– Sim, quero ser tua amiga, e mais: quero que conheças as minhas duas filhas que ainda são pequenas, assim como tu, quero que brinques e sejas muito feliz com elas. Estás de acordo?
– Sim, claro, com certeza, vou adorar pertencer à tua família.
E assim, foram descendo a montanha até à toca da Loba, onde o carneirinho passou a viver e a ter muitos amigos. Ter amigos é muito bom!

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