O Gatinho curioso

Criado por Narrador
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Em primeiro lugar, quero contar-vos como era o nosso animalzito. Tinha, nessa altura, nove semanas, e um pêlo macio avermelhado. No peito, tinha uma mancha branca, que lhe enfeitava o pêlo. As patitas. também brancas, eram engraçadas. Parecia que tinha umas botas elegantes. O nosso gatinho estava sempre disposto a pregar partidas. Estava sempre a ter ideias novas, e era incrivelmente curioso. Carta manha, o nosso gato não apareceu para tomar o pequeno-almoço que tanto apreciava. Corri à procura dele, a chamar à volta da casa, a ver se encontrava o bichano. Tudo em vão. Onde é que se teria metido? “Esperemos que não tenha ido para a estrada, meter-se debaixo de algum carro”, exclamou o avô, que também tomava sempre uma parte activa no destino do gato.

Um pouco mais tarde, o avô veio com a notícia de que no quarto dele se ouviam uns miados lamentosos, muito fracos. No entanto, apesar de ter procurado bem, não tinha encontrado nada. Ele não podia afirmar de onde é que vinham os miados do animal. Pus me de novo à procura. Realmente, ouvi, no alpendre de madeira, que comunicava com o quarto do avô, a vozita do animal desaparecido. Mas onde estaria ele? Estaria entre a lenha e a parede, ou entalado nalguma fenda desamparado? Estaria ferido?

Quando o chamei, respondeu. Fui-me dirigindo pelo som, parei, e chamei novamente. O miado veio prontamente, umas vezes mais forte, outras mais fraco. Quando encostei o ouvido é chaminé, ouvi o queixume do gato, distintamente. “Deve estar lá dentro!” exclamei convencida. O avô então, abriu a portinhola bastante pesada, que só se abria para o limpa-chaminés fazer o seu trabalho. Ali estava o nosso gato, a tremer, e quase irreconhecível. As “patinhas” brancas estavam cinzento-escuro, o belo pelo estava todo desgrenhado e coberto de fuligem. O avô tirou o bichito da prisão. O gato sacudiu-se todo e projectou se, cheio de alegria, em direcção ao prato. Com o maior prazer, lambeu a água fresca, apaziguando a sede.

Então apareceu a mãe gata, que vinha receber o filho, com carinho. Foi francamente uma cena comovente. A mãe estava visivelmente descontente com a aparência do filho. Pôs-se imediatamente a lambê-lo e a lavá-lo todo com a língua. Não descansou enquanto as patinhas não ficaram outra voz brancas e limpas. Parecia ouvir-lhe dizer: “Que tolice é que andaste a fazer?”

Também fizemos essa pergunta a nós próprios, e cremos que poderemos esclarecer. É que do lado em que a casa do avô fica encostada à serra, o telhado fica quase ao nível do chão. O nosso gato utilizou esse caminho para fazer uma excursão de reconhecimento, em cujo programa estava incluída a chaminé. O bichano queria saber o que é que estava para lá daquele buraco escuro. E assim, o pequeno curioso caiu desamparado, no abismo escuro. Felizmente, como era verão, não havia fogo na chaminé, se não o animalzito teria, certamente, sentido calor demais.

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