O Polipés

Criado por tdomf_86bf3


Era uma vez um Polipés que morava escondido no Atlântico. Tinha chegado à Terra por acaso, quando brincava no espaço com os seus amigos às escondidas por detrás dos asteróides. Um deles, de seu nome Sirion, que estava com mais pressa, arrastara-o para a Terra.

Polipés não tinha tido outra escolha senão esconder-se numa gruta no fundo do oceano, pois desconhecia se poderia confiar nos terráqueos.

Enquanto lá permaneceu sem ser visto, vários animais marinhos se aproximavam da boca da gruta e desabafavam os seus problemas. Para todos o Polipés sempre teve uma palavra de conforto e em troca, embora não o pudessem ver, todos lhe traziam oferendas e manjares deliciosos.

Certo dia uma pequena foca que havia fugido de um barco traficante de animais conseguiu soltar-se e esconder-se nas profundezas do Atlântico, mesmo ao lado da gruta do Polipés…

É claro que ele ao vê-la chorar, logo quis ajudar:

-Que se passa jovem foca?

– Foram os humanos…! Tiraram-me da minha colónia e meteram-me com mais outras centenas de filhotes num barco – acho que é porque querem as nossas peles para fazer roupas caras e finas – nunca mais vi a minha mamã…- Fugi para tentar encontrá-la, mas os oceanos são tãooo grandes, snif…! Podes ajudar-me?

O Polipés queria tanto poder ajudar, mas desde que chegara à Terra nunca tinha saído da gruta no fundo do oceano e receava agora ainda mais os habitantes deste estranho planeta.

A pequena foca insistiu:

– Ajuda-me! Quero a minha mamã!

Polipés hesitou…E se também quisessem fazer ‘roupas finas’ da sua pele???… Mas a sua bondade falou mais alto. Tinha que ajudar a foca bebé a encontrar a sua mãe.

Durante dias e noites atravessaram o oceano, rumo aos gelos onde a pequena foca tinha nascido.

Muitas foram as vezes que a bebé foca adormecia chorando com saudades de casa… E, a bem da verdade, Polipés também chorava quando ela adormecia, pois ele também sentia saudades dos seus amigos e do seu mundo no espaço…

Certa noite o perigo voltou a cercá-los. Polipés acordou bruscamente a pequena foca: – Anda, temos que procurar uma gruta segura! Andam humanos por aqui!

A pequenita estremeceu de terror e sem um piu la foi atrás dele à procura de refúgio dos malvados animais sem sentimentos.

Durante dois dias não se moveram. Sentiram fome, frio, medo,… mas não se moveram.

-Achas que o perigo já passou? — perguntou a foca bebé.

Polipés que dormitava e sonhava com os seus amigos na orla de asteróides abriu um olho de cada vez e sorriu com toda a tranquilidade de que foi capaz: — Já passou! Tenho a certeza. Vamos continuar a nossa viagem. E lá foram.

Poucos dias depois avistaram a colónia. A pequena foca não cabia em si de contente: – A minha mamã, vou voltar a ver a minha mamã!!!

Mais algumas horas e estavam mesmo a chegar.

Polipés começou a sentir-se triste… Tinha se habituado à liberdade dos mares na companhia daquela pequena criatura e não sabia como iria ser a sua vida nesta terra desconhecida quando a entregasse à sua família. Teria ele que voltar a esconder-se numa qualquer gruta profunda???

-Bem, então é adeus agora…! Daqui já podes ir sozinha…

-O quê? Vais-te embora??? Nem pensar! – disse a pequenita com um grande sorriso – tens que conhecer a minha família!

Polipés não conseguiu contrariá-la, tal era a determinação no seu tom de voz. Lá foram. Ele estava receoso… Nunca ninguém na Terra o tinha visto sem ser a pequena foca. E ele temia que o achassem feio e troçassem dele… Era agora! Já não havia nada a fazer!

A pequena foca chorava e ria abraçada à sua mamã, e rebolavam juntas entre carícias e beijinhos!

Quando finalmente pararam para suspirar, a bebé foca fez as honras da apresentação:

-Mamã, este é o meu amigo Polipés! Foi ele que me salvou trazendo-me até aqui!

A mamã foca olhou-o. Reparou nos seus grandes olhos e no seu sorriso triste. Tinha ar de quem se sentia sozinho e precisava amigos. A mamã foca também se sentia sozinha, desde que a grande baleia tinha vindo para levar o seu companheiro, preso nos seus dentes aguçados.

Sorriu-lhe.

-Gostarias de ficar connosco Polipés?

Abismado com o convite, Polipés estremeceu de alegria: -sim! Claro que sim!!!

Nunca se arrependeu. Nem por uma onda nem por uma gota do oceano!

Polipés encontrou uma nova família e foi muito feliz.E nunca mais precisou se esconder com medo numa gruta.

Ah!… E o resto dos seus dias foram passados a assustar os humanos com a sua aparência invulgar de extra-terrestre!

Nunca mais uma foca bebé foi sequestrada naqueles gelos sem fim!

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