O presente do Valter

Criado por Narrador
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“Se eu tivesse dinheiro”, lamentava-se o pequeno Valter, de sete anos, com um suspiro profundo. “Amanhã e o aniversario da minha mãe, e não tenho dinheiro para lhe comprar um presente. O que é que lhe hei-de dar? Talvez o meu urso de peluche! Ê o meu brinquedo preferido. Certamente que a mãe gostaria dele. Hei-de dar-lho? É o que vou fazer.” Assim pensou e assim fez!

O Valter tinha falado para si próprio, em voz alta. Então dirigiu-se ao quarto onde se encontrava o urso em cima de um banco. Pegou nele ao colo. “Eu gosto muito de ti, meu ursinho.” murmurou ele enterrando a cara no pelo áspera do seu brinquedo favorito “Mas tenho de me separar de ti, porque não tenho absolutamente nada para os anos da minha mãe. Não fiques zangado comigo!” Enquanto falava, embrulhou o seu tesouro num jornal, que estava em cima da mesa. Então pôs o pacote no cesto dos brinquedos, para que o tivesse à mão, de manhã.

Acordou muito cedo, no dia seguinte. Assim que se vestiu, pegou no pacote e dirigiu-se para a cozinha. A mãe estava a cozinhar as papas de sêmola para o pequeno-almoço “Bom dia, Valter”, disse amigavelmente. Hoje estás muito madrugador”. “Desejo-te um feliz aniversário, mãe.” Respondeu o Valter com a face radiante, pondo-lhe o grande embrulho nos braços. “Espero que o meu presente te agrade.”

“Muito obrigada, meu querido filhito”, disse a mãe, dando-lhe um beijo afectuoso na cara. Então abriu o embrulho. “Oh, o teu urso!” Exclamou. “Como é simpático da tua parte, Valter. Mas tens a certeza que mo podes oferecer?” “Sim, mãe, de certeza. Eu gosto muito dele, mas ainda gosto mais de ti,” exclamou o Valter voltando-se. Mas não se foi embora tão depressa que a mãe não descobrisse um par de lágrimas fugitivas nos seus olhos azuis. Ela sabia que era um grande sacrifício para o pequenito.

“Olha, Valter”, disse ela, amigavelmente, “que tal se tu cuidares do meu ursinho? Passa a ser meu, claro, mas tu ficarás sempre a tomar conta dele, está bem?”

“Oh, sim, mãe”, exclamou o pequeno entusiasmado. “Fá-lo-ei com muita alegria. Até porque o urso ia ter saudades minhas, não achas? Mas diz, mãe, ficaste contente com o meu presente?” “Acho que me deste o mais belo de todos os presentes, Valter, afirmou a mãe fixando-o com olhos felizes.

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