O Schiggi vai à escola

Criado por Narrador
George and Marco

O Jacob e a Maja eram gémeos. Viviam com mais duas irmãs e os pais, num campo missionário de Africa. O pai era professor e eles sentiam-se alegres por poderem estudar com as crianças africanas de cabelo crespo, nos bancos da escola. Tinham-se habituado a amar essas crianças de pele negra e dentes brancos brilhantes.

O pai — o senhor Hiestand — dava também aulas num outro lugar. Para ir a essa outra escola, ele tinha de atravessar um estreito atalho, até chegar à aldeia indígena. Ao percorrer esse caminho, via sempre coisas muito interessantes. Cada dia de escola era variado. À noite, o pai contava o que lhe tinha acontecido ou o que tinha visto. Algumas vezes, as crianças mal podiam esperar por essa agradável hora de serão.

Uma noite em que o senhor Hiestand vinha a caminho de casa, ouviu na mata um gemido lamentoso, como se alguém estivesse a chorar baixinho. Parou e osculou intensamente. De novo ouviu esse som singular. Então quis saber de onde vinha aquilo. Entrou na mata para procurar. De repente, encontrou, mesmo a frente dos pés, um macaquinho pequeno assustado, que devia ter caído de uma das grandes árvores.

Ele falou ao animalzito com voz amigável: “Pobre bicho, tens uma perna partida!”

Cuidadosamente tomou o macaquito nos braços e embrulhou-o no casaco. Então continuou a andar para casa, com aquele embrulho vivo.

Como de costume, o Jacob e a Maja estavam ao portão para cumprimentar o pai.

“O que trazes aí?” Quis saber o Jacob ao ver o pequeno embrulho. “Espera, quando chegarmos a casa, logo vês”. respondeu o pai. Ele sorria satisfeito, curioso de saber o que é que os filhos iam dizer ao verem o conteúdo do embrulho.

O Jacob corria à frente gritando: “Mãe, mãe, o pai trouxe qualquer coisa”. Atrás dele vinha a irmã a correr.

A senhora Hiestand quis saber o que causava tanta agitação e foi atrás das crianças até à sala. A Maja mal podia esperar: “Por favor, pai, não nos faças adivinhar durante tanto tempo; desembrulha lá isso!” Quando ele pôs o Decote no chão e o desembrulhou, houve um grande espanto. “O macaquinho tem uma perna partida. Temos de tratar dele imediatamente,” explicou o pai. A mãe trouxe um balde de água quente, e o Miguel, o filho mais velho, que entretanto tinha chegado, foi buscar duas tabuinhas para servirem de talas.

Tudo correu às maravilhas. A perna fenda foi posta em talas e ligada. O macaquinho parecia satisfeito com o que se passava.

As crianças sentaram se para deliberar que nome haviam de por ao macaquinho. Um queria “Bonzo” mas o nome não agradou aos outros. Finalmente concordaram em lhe chamar “Schiggi” por ele ser um bichito tão cómico. A partir daí ficou com esse nome.

A pernita do Schiggi sarou depressa. Foi uma festa, o dia em que se tiraram as talas.

O Schiggi parecia contente com o facto de todos serem tão solícitos para com ele. Entretanto, o Miguel tinha preparado uma bela caixa, na qual o Schiggi podia dormir. Este, em breve se tomou a mascote das redondezas.

O Jacob e a Maja ensinaram algumas coisas engraçadas ao macaco. Ele fazia o pino e ficava todo orgulhoso quando se podia pavonear com os trajos coloridos que as crianças lhe vestiam.

Sempre aue fazia alguma coisa bem feita, recebia uma banana. Então fazia uma vénia, tal como lhe tinham ensinado. Gostava muito de palrar à sua maneira.

Uma manhã, as crianças sairam para a escola. O Schiggi, sem que o notassem, seguiu-as até ao portão. Então, ficou a balançar se nas árvores e nos ramos, mas sempre nas redondezas da escola.

Quando o Jacob e a Maja entraram, o Schiggi apareceu à janela da sala de aula. A princípio assustou-se com todas aquelas crianças desconhecidas. Mas quando tudo ficou tranquilo, subiu pela janela e deu um pulo por detrás do banco onde a Maja e o Jacob estavam sentados. Ninguém deu por nada. O professor estava a escrever no quadro e as crianças a copiarem.

“Agora vai ser divertido”, pensou certamente o Schiggi, rastejando por baixo do banco e beliscando ao de leve a perna do Jacob. “Ai, ai”, gritou este. “O que foi que me mordeu?”

O professor voltou-se e perguntou: “Por que é que gritaste, Jacob?” O Schiggi então deu um salto para o ombro do Jacob e começou a coçar-lhe a orelha. Explodiu uma gargalhada geral. Toda a classe se pôs em tumulto. O Schiggi até subiu para a secretária do professor, que ria a bom rir. “Schiggi”, perguntou o Jacob, “como é que vieste cá ter?”

O professor pediu ao Jacob para levar o macaco lá para fora e o deixar lá atado. Este assim fez mas o Schiggi choramingava e gemia o tempo todo. Só ficou tranquilo quando a aula acabou e o Jacob apareceu de novo. Então, toda a criançada se reuniu à volta dele. O Jacob disse-lhe que mostrasse algumas das suas habilidades. As crianças riam e batiam as palmas de alegria.

Agora, eram horas de ir almoçar. O Jacob atou bem o Schiggi e levou-o para casa. Nesse dia, as crianças tiveram muito que contar. A mãe mal conseguia acalmá-las. Em muitas cabanas, nesse dia, só se falou do Schiggi. No entanto, â tarde, o Jacob tomou cuidado para que este não viesse outra vez com eles.

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