O vidro partido

Criado por Narrador
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“Vamos brincar lá para baixo, para o pátio”, disse a Heidi à sua amiguinha Ivone. “Há lá espaço suficiente para podermos atirar com a bola para longe, e correr atrás dela”.

A Ivone estava de acordo; por isso lá foram ambas pela escada abaixo, de mão dada. Era realmente um belo campo de jogos. A relva tinha sido cortada rente, e não havia pedras no chão, que fizessem parar a bola. Só se apresentava uma dificuldade. Na outra extremidade, estava situada a casa do senhor Keller, com as suas muitas janelas. Mas, no seu entusiasmo, as duas meninas nem pensaram nisso.

A Ivone atirou a magnifica bola azul com riscas amarelas, à sua amiga. Esta, atirou-lha de novo com toda a forca. E assim a bola ia voando alegremente, de um lado para o outro. A Ivone decidiu atirar a bola com tanta forca que a Heidi não a pudesse apanhar. Com efeito, a bola passou por cima da cabeça da Heidi, e continuou disparada. Então, catrapuz! Passou através da janela do senhor Keller e aterrou, juntamente com os estilhaços, no Quanto dele.

Nem a Ivone nem a Heidi puderam articular palavra na altura. Mas, de repente, desataram a correr o mais depressa que as pernas lhes permitiam. Esconderam-se atrás de uma árvore grande, no jardim da Ivone, e olharam uma para a outra em desespero. Elas não deviam ter fugido; mas tinham ficado tão assustadas com o tilintar dos vidros partidos, que nem tinham podido reflectir. Depois de se acalmarem um pouco, a Ivone exclamou: “Oh, Heidi, se ao menos tivéssemos ido dizer ao senhor Keller! Tenho medo que agora ele ainda fique mais zangado connosco por não termos dito nada!” “Não faz mal”, respondeu a Heidi, “ele não estava em casa, eu vi-o sair antes. Certamente que ninguém nos viu. Por isso podemos estar descansadas. Além, disso, foi um acidente. Não o fizemos de propósito”.

As duas meninas não falaram mais no assunto. Mas, quando a Ivone foi para a cama, à noite, pensou de novo na bola azul e amarela que tinha voado para dentro do quarto do senhor Keller. “Ele vai vê-la, quando se for deitar”, pensou ela.

Mas a Ivone ainda era muito pequenita, e estava cansada. Então, em breve mergulhou num sono profundo, esquecendo completamente o vidro partido. No dia seguinte, estava sol, mas as duas meninas sentiam-se deprimidas. Se ao menos elas não tivessem brincado no pátio! Mas lá no Intimo uma voz insistia: “Contem á mãe! Contem A mãe!”

À tarde, ao regressar da escola, resolveram ir buscar os mealheiros e contar o dinheiro debaixo da árvore grande. Assim fizeram. Despejaram o conteúdo em cima de uma tábua e contaram. A Heidi só tinha moedas, mas a Ivone tinha algumas notas. Ao todo tinham cerca de cento e cinquenta escudos.

“Pergunto a mim própria se o dinheiro dará para comprar o vidro?” observou a Heidi. “Temos de perguntar às nossas mães”.

Imediatamente a mãe da Ivone e a da Heidi falaram uma com a outra. Tinham ouvido a história das filhas e tinham resolvido ir com elas a casa do senhor Keller. Acrescentaram algum dinheiro para que fosse o suficiente.

Em breve se puseram todas a caminho. Era penoso para as duas meninas. Mas, apesar disso, estavam contentes de se desembaraçarem do peso que tinham no coração. A senhora Muller bateu á porta.

Após alguns instantes, ouviram-se passos e a porta abriu-se. Lá estava à frente delas o senhor Keller, um senhor idoso com uma barba branca faces rosadas e olhos azuis. No seu olhar luziu uma certa surpresa ao ver a Ivone e a Heidi. “Tenho estado à vossa espera. Eu sabia muito bem que a bola azul com riscas amarelas era tua, Ivone. Entrem”. Entraram atrás dele. O assunto do vidro ficou arrumado. O senhor convidou as suas visitas para lanchar. Trouxe morangos com nata batida e pãezinhos. Quando acabaram de comer, ele foi buscar a bola, e deu-a à dona, cujo rosto estava radiante.

Como o coração das meninas estava, agora, em paz!

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