Quando o Luís se escondeu no camião

Criado por Narrador
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O pai do Luís possuía um grande camião, com o qual percorria todo o país, transportando cargas gigantescas. Algumas vezes ele levava também o Luís. Punha o rapazinho na cabine do condutor, sentado ao seu lado. Que alegria, cada vez que isso acontecia!

Um dia, ao ver o pai preparar se para partir, o Luís perguntou se também podia ir. “Papá, por favor deixa me ir também!” “Desta vez, não,” respondeu o pai. “tenho de ir muito longe.”

O Luís queria ir, a todo o preço. Durante todo o tempo em que o pai esteve a controlar os pneus, o óleo, a água e a deitar mais Diesel, o Luís pediu, pediu. Mas o pai manteve-se firme. “Desta vez, não, meu amor.”

O Luís atirou com o seu carro de brincar para um lado a o urso para o outro. Então, foi ter com a mãe, a lamentar a sua desventura. Por que é que ele não havia de ir, se isso lhe dava tanta alegria? A mãe estava a pôr bolos na lancheira do pai e disse ao Luís que fosse brincar lá para fora. “À hora da refeição vou-te dar também alguns bolos destes”, prometeu-lhe.

Lá fora, o pai ainda estava às voltas com o motor. O Luís trepou pelo gradeamento perto da camioneta, a fim de poder espreitar lá para dentro. Esta estava vazia pois o pai devia ir buscar mercadoria. Então veio-lhe uma ideia. Como queria ir a todo o custo, escondeu-se debaixo das cobertas do camião. Era uma coisa perigosa, mas o Luís não estava nada sensato – só sabia que queria ir com o pai. Depois de comer, o pai pôs a lancheira na cabine e subiu para o lugar do condutor. “Onde estará o Luís?” perguntou ele à mãe, “aia costuma sempre vir dizer-me adeus.”

“Provavelmente, esta para ai amuado nalgum canto, por tu não o poderes levar desta vez,” supôs a mãe. “Ele vai com certeza aparecer antes do jantar, visto que lhe prometi alguns bolos.” Debaixo das mantas o Luís ria á socapa, a pensar com alegria nas boas coisas que o pai levava na lancheira. Debaixo das cobertas, o ar estava pesado, mas o Luís não ficou em cuidados com isso, tal era a alegria de ir viajar

A mãe dizia adeus, e o pai acenava da estrada. O Luís era sacudido a valer, à medida que o poderoso camião seguia através do tráfego intenso. Passado algum tempo, ele arrastou-se para fora do esconderijo. O ar fresco e puro fez-lhe bem. Ficou contente por poder sentar-se de cócoras atrás do assento do pai, a admirar as camionetas e os carros. Ninguém reparava no pequenito, a espreitar no meio de um monte de mantas.

Algum tempo depois, o camião saiu da cidade e entrou na auto-estrada. Em breve deixou de haver casas, e de ambos os lados da estrada só se viam filas de árvores. Então o pai abandonou a auto-estrada e meteu-se por um caminho estreito, escabroso e poeirento. O Luís era atirado de um lado para o outro, todo sacudido. Já tinha dores por todos os lados. Em breve pensou que teria sido melhor ter ficado em casa. Se ao menos o pai parasse!
À medida que o pai continuava a andar e o camião a dar solavancos, o Luís quase não suportava mais.

Pôs-se a gritar com toda a forca. O pai tinha de parar. Mas o grande camião fazia um tal barulho pela estrada escabrosa que o pai não ouvia. E continuava sempre a andar. O Luís pôs-se de novo a gritar e a bater com os punhozitos na cabine, mas o camião continuava a andar, a andar. O Luís começou a chorar. Desesperado, pôs-se a gritar novamente. O camião acelerou quando ele menos esperava atirando o autenticamente de um lado para o outro. Em breve o sol começou a declinar.

As colinas projectavam grandes sombras. O Luís começou a ficar gelado. Perguntava a si próprio quando é que o pai iria comer o que trazia na lancheira. Nessa altura ele não tinha fome. Ansiava por estar na cabine quentinha, ao lado do pai, a dormir no assento confortável. Chegou a pensar que o grande camião nunca mais ia parar. Mas de repente, este abrandou de velocidade e entrou numa pequena cidade.

Como o pai ficou admirado ao descobrir um rapazinho choroso, agarrado com força às cobertas. Suspeitou imediatamente do acontecido, ao ver o filho todo empoeirado e cansado. O rapazito gelava e o pai despiu o pullover grosso e quente que trazia, por baixo da camisa, e embrulhou o pequeno. O Luís sentiu-se logo melhor. “A mãe vai procurar-te por toda a parte.” explicou o pai. “Temos de lhe telefonar a dizer que estás bem.” Então o pai levou o pequenito esgotado a um restaurante, e deu-lhe um copo de leite quente. A seguir, a criança enroscou se na cabine e adormeceu.

Em casa, a mie tinha-se preocupado muito por causa do Luís. Quando viu que este não aparecia para jantar, procurou o por toda a parte, nas redondezas. Onde teria ido? Ninguém o tinha visto naquela tarde. Precisamente quando a mãe estava para alertar a polícia, tocou o telefone.

Ela alegrou-se muito ao ouvir a voz do pai, e respirou de alívio, quando soube que o Luís estava em boas mãos. Pobre Luís. Estava tão longe e tinha ainda de percorrer todo o longo caminho de regresso. Para um rapazinho pequeno, era uma viagem cansativa. O pai esteve dois dias e duas noites fora de casa e durante todo esse tempo, o Luís teve de ficar no camião.

Ele não ousava queixar-se, mas pensava como seria bom estar em casa. Mesmo o comer da lancheira não lhe sabia assim tão bem como isso. Como se sentiu alegre ao voltar novamente para casa.

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