Se ao menos fizesses…

Criado por Narrador
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“Ah, se o Willi ao menos fizesse o que eu lhe digo!” suspirou a mãe. Tinha-o avisado há pouco de que não arrancasse os legumes da horta; alguns ainda não estavam suficientemente maduros para serem utilizados. “Só poderás ajudar a apanhá-los, quando vier o tempo da colheita,” explicou ela ao rapazinho empreendedor.

Durante alguns dias, o Willi pensou nas palavras da mãe. Então, certa manhã, esta deu por falta do pequeno.

“Willi”, chamou. Mas nada de resposta. A mãe tornou a chamar e então avistou a cabecita dele inclinada lá para o lado das beterrabas; viu que ele arrancava qualquer coisa, que atirava por cima da vedação. Ao longo desta, estavam reunidas todas as vacas do vizinho.”

“Mas o que é que ele está a arrancar?” perguntou a si própria a mãe, correndo para investigar o caso. Em breve descobriu. O pequeno Willi estava a arrancar a grande velocidade todas as cenouras, e a atirá-las às vacas. A mãe ficou muito zangada. Não vamos dizer o que aconteceu. Talvez adivinhem. “Ah. se o Willi fizesse o que eu lhe digo”, suspirou a mãe.

Algum tempo depois, o pai estava ocupado a concertar o automóvel. O pequeno Willi observava com a mais viva atenção. O que mais lhe interessava era o motor, e a maneira como o pai examinava os pneus para ver se tinham ar suficiente. No dia seguinte, o pai voltou para o trabalho. Deixou o carro em casa, pois ainda não estava pronto. Mas antes de sair disse ao filho: “não mexas no carro, nem me tires nenhuma ferramenta”. “Está
bem. Eu deixo tudo como está”, assegurou o Willi despedindo-se do pai. Mas em breve — cedo demais — o Willi se esqueceu da promessa. A mãe estava a trabalhar na sala de estar, perto da janela aberta. De repente ouviu rir às gargalhadas, e um ruído sibilante. Foi ver o que é que estava a dar tanta vontade de rir ao Willi. Este estava atarefado à volta do carro do pai. E o pior, é que um dos pneus estava espalmado que nem uma omoleta! O Willi tinha deixado sair o ar todo. O que é que o pai ia dizer, quando voltasse do trabalho? “Ah, se o Willi fizesse o que se lhe diz!” gemeu a mãe, uma vez mais.

Na primavera seguinte, a mãe e o Willi estavam no jardim. Estavam contentes ao olhar para as árvores de fruto, todas em flor. No pequeno prado, as abelhas zumbiam de flor em flor. “Olha Willi! Vê como as abelhas são trabalhadoras!” disse a mãe que apreciava todas as manifestações de vida. O Willi foi ver e quis logo afugentar uma abelha com a mão.

“Não, não!” gritava a mãe. “Não assustes os bichinhos, não os incomodes. Eles picam. Só se deve olhar para as abelhas para ver como são trabalhadoras. São elas que fazem o mel maravilhoso, percebeste?”

O Willi fez o que a mãe lhe dizia — mas só até ao dia seguinte! E que ele queria agarrar num daqueles bichinhos; só uma vez! Estendeu a mão com todo o cuidado. De repente deu um grande grito e correu para junto da mãe. Vinha com o dedo picado no ar. A mãe viu logo o que tinha acontecido. Na ponta do dedo estava a razão dos gritos e das lagrimas; uma abelha tinha deixado lá o ferrão! Pobre Willi! A mãe tirou o ferrão, mas mesmo assim o dedo inchou muito. Durante algum tempo, o Willi andou muito dócil, olhando de vez em quando para a consequência da sua desobediência. O que seria se a abelha lhe tivesse picado no nariz ou nos olhos? Se ao menos tu fizesses o que o papá e a mamã dizem, nada disso te acontecia”, explicou-lhe a mãe, cheia de esperança na picadela da abelha.

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