Um esconderijo perigoso

Criado por Narrador
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O Paulo e o Lucas, divertiam-se a brincar com o primo Rodolfo. Eles não viam o Rodolfo muitas vezes, porque este vivia no campo, ao passo que eles moravam numa cidade bastante distante.

Tinham vindo com os pais, para passarem alguns dias de férias. Antes de tudo, o tio Jorge mostrou aos rapazes todos os animaizinhos que tinham nascido depois da última visita deles, no ano anterior. E não eram poucos. O favorito do Paulo era o cordeirinho malhado, enquanto que o Lucas preferia um cãozinho. Depois do almoço, os adultos sentaram-se a conversar na varanda frondosa. Entretanto, os três rapazes puseram-se a brincar, alegremente.

“Vamos brincar às escondidas?” Propôs o Rodolfo — “na nossa quinta há muitos sítios fantásticos para nos escondermos.”

O Paulo e o Rodolfo desataram a correr, enquanto o Lucas tapava os olhos e contava até quarenta. Precisou de bastante tempo para dar com os outros dois. Então, chegou a vez de ele se esconder, enquanto o Rodolfo procurava. O Lucas correu para a eira, onde se encontravam as grandes carroças que serviam para o transporte da erva e do feno. Trepou para a meda de feno, um esconderijo muito bom. Nessa altura, avistou, perto do feno, um frigorifico velho. A tia Ilda tinha comprado um novo, e já não precisava do velho. O frigorífico não era muito grande, por isso o Lucas tirou as prateleiras para fora, rapidamente, e rastejou lá para dentro. Então, fechou a porta. De certeza que o Rodolfo não ia encontrá-lo ali, pensou ele. Não demorou muito que o Lucas começasse a sentir-se desconfortável naquela posição, de cócoras. Além disso, o pouco ar que havia dentro da caixa era pesado. Ele resolveu procurar um esconderijo melhor. Mas, quando quis abrir a porta, esta não se moveu.

Era demasiado estreito lá dentro para que ele pudesse fazer esforços. Aliás, mal podia respirar para ter forças para gritar por socorro. O Lucas ficou terrivelmente amedrontado. A cabeça começou a ficar-lhe pesada, a o peito apertado.

O Rodolfo conhecia muito bem os esconderijos habituais, por isso encontrou depressa o Paulo. Então, ambos se puseram a procura do Lucas. “Talvez ele tenha ido para dentro de casa”, alvitrou o Paulo, depois de terem procurado, em vão, por toda a parte. “Vamos procurar dentro de casa”, exclamou o Rodolfo. Nessa altura, o pai e o tio Jorge apareceram à porta da rua; vinham buscar os pequenos. “Cá estão vocês”, disse o pai, e perguntou se gostariam de ir dar uma volta de carro até à beira mar.

“Não conseguimos encontrar o Lucas”, disse o Paulo “já procurámos por toda a parte”. O pai deu um grande assobio. O Paulo e o Lucas sabiam sempre o que isso significava. Estavam habituados a vir imediatamente quando ouviam o assobio do pai. Mas desta vez o Lucas não respondeu.

“Isto é estranho”, disse o tio Jorge. “Onde é que ele se teria metido?”

“Se ele não vem, não pode ir connosco de carro,” disse o pai, encaminhando-se em direcção ao carro.

Mas o tio Jorge teve de ir tratar de qualquer coisa, na meda de feno. De repente, descobriu as prateleiras do frigorífico. “Tiraste-as para fora?” perguntou ao Rodolfo.

“Não, pai,” respondeu o rapaz apressando-se a abrir a porta do frigorífico. “Certamente o Lucas escondeu-se lá dentro.” Ele sabia como isso era perigoso.

Lá estava o Lucas desaparecido, acocorado, com a cara branca como a cal, e os lábios roxos. O pai e o tio Jorge transportaram-no imediatamente para o ar fresco. O Rodolfo correu para casa para a mãe chamar o medico. Ninguém se lembrou mais do passeio a beira mar. Algumas horas mais tarde, o Lucas estava fora de perigo. Todos se ajoelharam, agradecendo a Deus por o rapazinho ainda ter sido encontrado a tempo. A visita alegre podia ter tido um fim terrível.

“Tenho de tirar a fechadura do frigorífico velho”, disse o tio Jorge pensativo. “Aliás, é sempre perigoso esconder-se em armários, malas ou caixotes.” “Sim,” acrescentou a tia Ilda. “Muitas vezes as crianças da vizinhança vêm brincar para aqui. Provavelmente, nunca se tinham lembrado do frigorífico. O melhor é
arrancares a porta.”

“É o que vou fazer”, respondeu o tio Jorge, pondo imediatamente mãos â obra.

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