Um Passarinho no muro

Criado por Narrador
IMG_4573

No pátio das traseiras da casa em que o Dani vivia com os pais, reinava grande actividade. Os pedreiros estavam a construir uma garagem. A mãe tinha prevenido o filho para que não empatasse os trabalhadores

“Posso só olhar?” perguntou o Dani.

“Sim, isso podes, mas de longe. Ainda és pequeno e podes incomodar os homens no seu trabalho.”

O Dani observava com grande interessa, sem se aproximar muito. Nada escapava aos seus olhos penetrantes.

De repente, aconteceu algo de extraordinário. Uma pequena pêga parda esvoaçou sobre o rebordo superior do muro. Saltitou um pouco, movendo desamparada, as suas asinhas desajeitadas. Então o Dani viu que ela caíra num buraco, no interior do muro, entre os tijolos. O Dani esperava que ela pudesse trepar novamente para fora, e voar. Mas ela ficou lá dentro. Um dos pedreiros acrescentou mais um tijolo, perto do buraco. Com o próximo, a abertura ficaria Tapada. O Dani correu, aproximando-se o máximo que ousou.

“Ó senhor! Senhor, espere ai!” gritou. O homem parecia não ouvir.

“Por favor, senhor, não vê o passarinho?”

O operário ergueu os olhos e perguntou: “Que dizes, pequeno?”

“Está um pássaro dentro do buraco, no muro. Vai enterrá-lo, se o tapa.”

“Um pássaro no muro? De que é que estás a falar?”

O Dani explicou o que tinha visto; o pedreiro foi ver a abertura, para a qual o rapazito apontara. Na verdade la estava um passarinho, dentro do buraco.

“Obrigado por me teres dito, vou tirá-lo cá para fora,” prometeu o homem.

Mas era mais difícil do que ele pensara. O buraco tinha cerca de 90 cm de profundidade e apenas 12cm de comprimento e 5cm de largura. Era impossível o homem meter o braço lá dentro. Tentou meter um pau lá dentro, mas podia ferir o passarinho com ele.

“Olha, João”, gritou ele para um outro pedreiro. “Vê lá se consegues tirar o pássaro.”

Então os dois ajudantes vieram também. Tentaram uma ideia após outra. Mas nenhuma dava resultado.

O Dani olhava e ia pensando que certamente aqueles homens grandes poderiam salvar o passarinho. E realmente eles esforçaram-se por isso. Mas depois de bastante tempo, um abanou a cabeça, e o outro encolheu os ombros. O João disse: “Temos de deixar o passarito lá dentro. E pena, mas não se pode fazer de outra maneira.”

O Dani não se pôde calar. Na sua cabeça germinou uma ideia. Ele disse ao homem que primeiro tinha querido salvar o pássaro: “Se o senhor me der alguma areia num balde, talvez eu possa fazer alguma coisa. Por favor, dê-me areia.”

O pedido do Dani foi logo atendido. Então ele pagou numa mão cheia e deitou-a, com cuidado, lá para dentro. Os homens observaram admirados. A areia caiu nas penas da pêga e de lá para o fundo do buraco. O pequeno continuou a deitar mais. Em breve havia tanta que cobria as patitas do pássaro. Este tirou-as, sacudindo a areia. Então já ficou um pouco mais alto, sobre a areia. Assim, o animalzito estava também um pouco mais perto da liberdade. O Dani ia deitando cada vez mais areia e o pássaro ia subindo mais e mais. Cerca de uma hora mais tarde, ele já estava tanto cá em cima. Que o Dani pôde pegar nele a tirá-lo para fora.

O passarinho voou para a mãe, em cuidados. O Dani foi novamente para o lugar donde podia observar, sem incomodar os trabalhadores. Agora eles estavam a tapar o buraco. A maioria dos operários pensava: “Onde é que já se viu que um rapazito de dez anos, possa fazer alguma coisa que nós, adultos, não conseguimos?”

O Dani estava extremamente feliz.

Comentários