Um passeio às Amoras

Criado por Narrador
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Era a época das amoras silvestres. A mãe sugeriu que toda a família fosse à floresta colher amoras. Ela gostava de encher alguns boiões de conserva para o Inverno. Estava um dia de sol, quando ela disse ao pai: “Achas que poderíamos ir esta tarde?”

“Sim, arranja-se já isso; mas temos de voltar a tempo de mungir as vacas. Se todos trabalharem activamente, certamente que poderemos juntar o suficiente.”

“Todos queremos ajudar”, exclamaram as três crianças. Depois do almoço, que nesse dia foi mais cedo, as crianças foram rapidamente buscar os baldes; lavaram-nos e limparam-nos muito bem. A mãe tinha feito uma cafeteira de chá de tília, porque o dia estava quente. Então foi buscar chapéus para abrigar dos raios solares. Finalmente, trouxe mais dois baldes de plástico, dizendo: “Se enchermos estes todos, será suficiente.”

Assim que chegaram à orla da floresta, começaram todos a trabalhar apressadamente. Mas passado algum tempo, as crianças notaram que a tarefa era um tanto cansativa, e não tão divertida como se lhes tinha afigurado. Os arbustos estavam cobertos de espinhos aguçados e picavam as mãos e as pernas. Para dizer a verdade, as amoras eram pequenas demais, e eram precisas muitas, mesmo para encher um recipiente pequeno.

As duas crianças mais velhas trabalhavam activamente, conversando com alegria. Estavam contentes por poderem amontoar as amoras nos baldes. Mas o Fred, o mais pequeno, preferiu comer directamente as amoras que ia encontrando. Não sentia qualquer prazer em deixá-las cair no balde. Então pôs se a andar por outros caminhos, a apanhar e a comer.

Finalmente, ouviu o pai chamar “Temos de voltar para casa. Quem tem o balde cheio?” O Fred olhou para o seu. Não havia sequer, uma amora lá dentro, e agora já não ia ter tempo de as apanhar. “O que é que os outros irão dizer?” pensou. Vagarosamente, juntou-se aos outros. Os irmãos tinham os baldinhos cheios. “O que é que se passa, Fred?” perguntou a mãe. “Não vale a pena perguntar”, disse o pai — “olha só para a cara dele! Esta todo preto das amoras.” Todos se riram de ele ter comido tantas amoras.

“Agora só vamos beber o nosso chá antes de irmos embora”, disse o pai. Estavam todos cheios de sede, e beberam com legitimo prazer. No caminho de regresso, a mãe verificou que o Fred estava muito sossegado, o que não era costume. “Não te sentes bem?” perguntou. “Dói-me o estômago”, murmurou o Fred, pondo as mãos no ventre. “Comeste amoras demais.” explicou a mãe. “Bebeste também muito chá; fez-te mal à digestão. Senta-te debaixo desta árvore até te sentires melhor.” Mas o Fred não se sentia melhor. Ao contrário, ia piorando. Como ele desejava agora que todas aquelas amoras estivessem no baldinho, em vez de estarem na barriguinha dele. Sentia náuseas terríveis. Nem sequer tocou no jantar festivo que a mãe tinha preparado para comemorar o dia.

No dia seguinte, a mãe encheu os frascos de amoras cozidas. Fez também algum doce, com o qual as crianças se alegraram especialmente. Só o Fred é que sentia sempre uma coisa estranha na região do estômago, ao simples som da palavra “amora.”

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