Um Pretinho chamado Açúcar

Criado por Narrador
sugar-cubes

Um pretinho corria através da selva. O corpo dele estava cheio de arranhaduras. Um missionário que passava, não longe de casa, a fim de repousar um pouco do seu trabalho extenuante, avistou o pequeno fugitivo assustado. Ficou não pouco admirado ao ver o rapazito correr direito a ele, a gritar; “Homem branco! Homem branco! Salva-me!”

O missionário estendeu os braços ao pequenito tremente e choroso. Atraiu o rapazinho a si, e falou-lhe com voz apaziguadora: “Vem cá, não tenhas medo. Vou tomar conta de ti.” “Oh!” suspirou o pequeno, pondo-se a soluçar. “O comerciante de escravos anda a perseguir-me. Mas eu não sou nenhum escravo.

Sou um rapaz livre, que vive lá longe, perto do rio!” E de novo se pôs a chorar amargamente. Pensava no seu lar tão longe; porque os rapazinhos e as meninas de cor, amam tanto os pais, como os do nosso país. “Tens razão, conta-me tudo o que se passou”, incitou-o o missionário, mantendo-o sempre protegido entro os braços. Então o rapazinho continuou a sua narrativa: “Estávamos vários rapazes a brincar, perto do rio, quando apareceu na curva uma canoa comprida que veio direita a nós. Vimos que havia homens estranhos no barco, e por isso saltámos o mais depressa possível, e fugimos para casa. Mas com o medo, os pés ficaram pesados como pedras, e não podíamos correr mais. Os homens desconhecidos apanharam-nos. Ataram-nos bem e lançaram-nos na canoa. Nessa altura, soubemos que eram cruéis caçadores de escravos.

As cordas cortavam-nos a faziam doar muito. Após uma grande viagem, o barco parou e eu fui vendido a um comerciante. Estive sempre de olhos bem abertos, A espera de uma oportunidade para fugir. Então um dia, ao tomar banho no rio, vi uma canoa vazia. No meio da erva alta, estava escondido um remo. Como pensasse que ninguém me via, rastejei até à canoa, e tentei remar até à outra margem. Mas o Congo é muito largo e eu só conseguia avançar lentamente. Alguns homens de outra tribo viram-me e apanharam-me.

Algum tempo mais tarde, um dos rapazes disse-me ao ouvido que havia um homem branco que vivia ali perto e que gostava muito doe nativos. Esse rapaz aconselhou-me a fugir, antes que tivesse de passar toda a minha vida a trabalhar como escravo. Foi por isso que hoje fugi até aqui, mas sei que eles me perseguem.” Então a criança deu um grito de horror ao ouvir vozes. Em frente deles, apresentou-se de repente um homem forte, enfurecido, com uma moca enorme na mão. Com voz de trovão, gritou: “Dê-me o meu escravo!” O missionário fixou com serenidade os olhos terríveis e explicou: “Não, eu não te posso dar esse rapaz. Prometi tomar conta dela. Mas estou disposto a pagar o resgate – vestidos, pérolas, dinheiro, o que quiseres.” “Não quero resgate nenhum, quero o rapaz!” rugiu o selvagem.

“Não to posso dar”, respondeu o missionário com tranquila determinação.

Então o nativo começou a praguejar e a jurar. Pôs-se a fazer vibrar o pau, como se fosse bater no missionário e no rapaz.

O missionário manteve se calmo, orando a Deus de todo o coração. De repente, o homem irado deu meia volta, e desapareceu na floresta. Nunca mais se viu nem se ouviu falar nele.

“Agora estás salvo. Vens comigo e ficas na minha casa”, disse o missionário, dirigindo-se com o rapaz para a Missão. “Só tens é que ter um nome conveniente. Vou passar a chamar-te “Açúcar”.

Não é um nome estranho para um rapaz? Mas o missionário achou que era adequado. Como novo pai a protector do rapaz, ele teve a sensação de que o pequeno um dia poderia vir a adoçar os seus dias.

Assim continuou a vida na Missão. O pretinho aprendia fácil e diligentemente. Limpava o chão, afiava facas, fazia a cama e outras tarefas.

Aprendeu também que Deus o amava. Antes, tinha vivido sempre com medo dos espíritos maus. Tinham-lhe ensinado que estes se encontravam atrás de cada pedra grande, árvore ou arbusto, esperando para o agarrar.

Agora, ele aprendia que o Senhor Jesus é mais poderoso do que o mal. Já não tinha medo. O Açúcar tornou-se um rapaz feliz. Quando cresceu aprendeu a ler e a escrever. Escutava com grande alegria as histórias da Bíblia que o missionário lhe contava. Como ficava contente quando tinha de o acompanhar nas suas longas viagens! Um dia, o missionário quis visitar uma nova tribo que ficava longe, no curso superior do rio. Chamou o Açúcar para o ajudar a carregar a canoa. Quando tudo ficou pronto, começaram a viagem no poderoso rio Congo. Durante vários dias viajaram contra a corrente. Descansavam quando estava calor, e viajavam quando a noite trazia uma aragem fresca.

Certa tarde, chegaram a uma curva do rio que reconheceram como sendo o alvo da viagem. O missionário puxou o barco para a margem Ali estavam muitos nativos que perguntavam a si próprios quem seria aquele branco que remara até ali sem mostrar medo algum. O Açúcar, estava na parte de três do barco, a fazer o jantar. De repente, olhou para a multidão, a soltou um grito de alegria. Velozmente atirou-se à água dirigindo-se para a margem. Lançou-se então nos braços de uma grande mulher de cor. O missionário compreendeu imediatamente o que se passava. O Açúcar encontrara novamente a mãe!

Devo dizer-lhes que também foi preparado um acolhimento caloroso para o missionário A sua mensagem acerca de Jesus encontrou ouvidos atentos. Na viagem de regresso, o missionário sentiu a falta do seu pequeno ajudante. No entanto, sentiu-se feliz por saber o Açúcar perto da sua mãe. O rapaz podia agora contar muita coisa acerca do Salvador que tinha dirigido tudo tão bem.

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