Um Ursinho na Sibéria

Criado por Narrador
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“Chegou a altura de procurarmos uma caverna, onde possamos dormir, durante os dias frios de inverno”, disse a mamã urso ao seu ursinho, um belo dia de Outono.

“Eu não quero dormir”. respondeu o filhote. “Quero brincar ao sol e trincar os rebentos dos arbustos e das árvores”. Então a mãe respondeu: “a nossa caverna actual é grande demais, e muito desabrigada para o inverno. Vai fazer muito frio. Eu descobri um buraco quentinho no tronco de uma grande árvore. Só tem uma abertura pequenina. Podemos fechá-la com musgo e cascas. Lá dentro, faremos uma cama macia onde poderás dormir até voltarem os dias quentes”.

“Mas eu quero brincar ao sol”, teimou o pequenito rechonchudo, batendo o pé.

“Meu filho, em breve o sol não dará mais calor. Então tu ficarás gelado e começarás a gritar ‘uah! uah! uah!’ Vamos, filhito! Toca a correr para a nossa casinha de Inverno!” incitou-o a mãe urso, pacientemente.

“Não; se me ponho a dormir, não posso comer. E eu gosto de comer. Ainda quero ir a procura de mais algum mel de abelha que quero saborear. Vai tu dormir para a tua toca de Inverno” teimou o ursinho.

“Se ficares ca fora durante o Inverno frio, os homens vão apanhar-te”, advertiu-o a mãe. “Os homens? O que é isso?” perguntou o ursito. “Os homens andam de pé como os ursos. Tem a cara e as mãos cor-de-rosa. São muito mais espertos que um urso bebé. Eles são capazes de te apanhar e de te enjaular e nunca mais poderás brincar”, explicou a ursa. “Eu cá não tenho medo dos homens” disse o pequeno. “Eu corro muito depressa”.

Passaram muitos dias. O ursinho continuou a não querer dormir no tronco da árvore.

Os dias iam ficando cada vez mais frios. Até que uma certa manhã, apareceu gelo sobre o lago da floresta. “Agora tens de vir”, declarou a mãe, com firmeza. Chegou a altura de os homens instalarem armadilhas, com comida lá dentro. Eles esperam que nós caiamos na armadilha. Querem apanhar-nos.

“O que é uma armadilha?” perguntou o ursinho.

“É um buraco especial, feito pelos homens. Quando um urso cai num desses buracos, nunca mais consegue sair. Vem depressa para a nossa casinha”. E a mãe urso deu ao filhote uma ligeira palmada, com a pata.

Mas, assim que a mãe adormeceu, o ursito levantou-se. Afastou o musgo e as ervas com os quais a mãe tinha tapado a entrada. Então saiu do buraco, a correr o mais que podia, voltando para a caverna de verão, perto do lago. Que bom! La estavam ainda as sementes e os rebentos. Ele podia rebolar na areia. “Vou ficar aqui todo o Inverno”, pensou o ursinho. Foi apanhar algumas sementes e amontoou-as na caverna. “Isto é para a minha mãe, quando ela acordar”, disse para consigo.

O sol começou a declinar, gradualmente. Ficou escuro. Pôs-se a soprar um vento frio. O ursinho nunca tinha estado às escuras sem a mãe. Estava frio. Nem o pelo espesso o aquecia suficientemente. Como ele gostaria de estar agora na cama! “Uahl Uah! Uah!” gemia ele baixinho. “Não consigo dar com o caminho nesta escuridão, e é muito longe. Tenho de esperar aqui, até amanhecer. Então, vou correr, de novo, para o pé da minha mãe”. Quando o dia despontou, o pobrezinho estava gelado.

Tinha os pés rígidos. Não podia correr. Assim, foi coxeando pelo caminho fora. Pouco a pouco, a medida que o sol aquecia, o ursinho ia-se sentindo menos frio e menos coxo.

Chegou a uma clareira da floresta. Então, cheirou lhe novamente. A boa comida das abelhas. Como o tempo estava maravilhoso! Ele continuou a andar, a andar. De repente, viu d sua frente um grande caixote de madeira. “Vou entrar de rastos naquele buraco, a ver se há lá comida. Depois saio a correr e vou para a minha cama”, pensou o pequenito. Avançou uma patita com todo o cuidado, e depois a outra. Agora uma pata de trás, e a seguir a outra. Entrou todo sorrateiro. Agora, o corpo do ursinho estava todo dentro da caixa. Então ouviu-se “Bum” e a porta fechou-se.

O ursinho correu para a porta, mas esta estava bem fechada. Agora ele já não pensava na gulodice. Quem lhe dera estar na cama, ao lado da mãe. Começou a bater na madeira dura, a tentar libertar se. Então, deitou-se no chão, com a cabeça entre as patas, e chorou: “Uah!Uahl Uah!” Passado algum tempo, chegou um homem, com um pau e uma rede. Debruçou-se no buraco e atirou a rede ao pequeno prisioneiro.

O ursinho não era um animal mau. Ele nunca tinha arranhado nem mordido ninguém. Agora ele também não arranhava nem mordia. Estava tão triste e tão angustiado, que nem se mexia.

O homem atou a rede e levou o animalzito para um carro, dizendo: “Tu és bonito e bem comportado. Posso vender-te por muito dinheiro”. O homem tinha deixado o pau no buraco. Foi buscá-lo, a pensar que agora o bichinho já não podia fugir.

Mas quando o homem regressou, o ursinho já não estava no carro. Fosse como fosse, ele tinha saído da rede, tinha saltado do carro e corrido para a floresta, a toda a velocidade. O homem não tinha dado por nada. Finalmente, quando correu para a floresta, já não encontrou a sua presa. O ursinho tinha trepado a uma árvore alta, onde ficara muito quietinho, até o homem se ir embora. Então desceu, e começou a correr, a correr. À noitinha chegou à sua caminha, na árvore, onde a mãe estava a dormir. Rastejou lá para dentro apressadamente, e tapou a entrada, com musgo e ervinhas. Então, deitou-se ao lado da sua querida mãe, que estava muito quentinha. Como se sentiu bem, confortável e tranquilo. Em breve se lhe fecharam os olhitos, e ficou muito tempo mergulhado num sono profundo e saudável, até que os dias quentes voltaram, e de novo, todos os ursos acordaram.

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