Uma Ama estranha

Criado por Narrador
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O nome dele era Nandi. Certamente que no mundo inteiro, não havia muito quem se lhe comparasse em forca e corpulência; por isso não fora por acaso, que lhe tinham posto o nome de Nandi (o Grande). Mas então, um ser do sexo masculino a fazer de ama? Vão talvez perguntar. Em primeiro lugar: o Nandi era muito grande. Ele tinha o dobro da altura do pai da criança de que tomava conta. Até nem faltava muito para ele ser da altura do
telhado da casinha onde morava o menino. O Nandi tinha um nariz muito grande. Era mesmo muito comprido. Talvez não acreditem, mas o nariz dele tinha tanto de comprimento como alguns meninos de altura.

Era um nariz espantoso, sempre a mexer-se, sempre a tactear e a cheirar. O Nandi podia abanar o berço e afugentar as moscas que incomodavam o bebé, pousando-lhe na cara. Com o nariz, ele podia apanhar do chão o mínimo objecto e fechar as portas da casa. Mas talvez queiram dar um outro nome a esse nariz comprido. Provavelmente, quererão chamar-lhe “tromba”.

O Nandi possuía dois dentes compridos e afiados. Eram mais compridos do que o braço de um homem, e muito fortes. Com eles, podia levantar troncos de madeira pesados e revolver grandes pedras.

Evidentemente que poderemos dar a esses dentes um outro nome. Os dois dentes compridos e fortes chamam-se defesas. E agora, certamente que já adivinharam que essa ama estranha, era um elefante.

O menino era um rapazito hindu, isto é, que vivia na índia. Tinha pele morena, olhos negros e cabelo preto.

O rapazinho já tinha brincado com a tromba do poderoso Nandi desde que começara, pela primeira vez, a agarrar os objectos com as mãozinhas minúsculas. Andava de gatas à volta das patas do elefante, e deitava-se no chão a dormir, à sombra do enorme animal. É que na Índia é sempre verão. Uma manhã, o pai do menino, subiu para o pescoço do elefante e levou-o embora. A criança pôs-se a gritar com toda a força, com medo de perder a sua amável ama.

A mãe confortou-o explicando: “Olha, o pai precisa do Nandi. O Nandi agora tem de trabalhar. Tem que fazer algum trabalho mais difícil; não pode estar só a tomar conta de ti.” O elefante tinha de empilhar troncos pesados e ajudar a carregar navios. Muitas vezes, até trabalhava sozinho, sem precisar que o mandassem. As suas pilhas de madeira estavam sempre bem alinhadas a em ordem.

Anteriormente, o Nandi tinha pertencido a um príncipe, e por isso, muitas vezes, tinha marchado em cortejo, através das ruas da cidade. Nessa altura, ele usava argolas de ouro nas orelhas, e anéis de prata nos dentes. Levava, às costas, colchas compridas, vermelhas, guarnecidas de ouro, que lhe cobriam os flancos, chegando quase até ao chão! Costumava levar às costas empregados do príncipe.

Quando era ainda muito novo, tinha vivido na selva. Belos tempos aqueles! Vagueava então com os outros elefantes, através das florestas, comia arbustos tenros e atravessava rios a nado.

Mas um dia, tinha sido perseguido pelos caçadores, através das florestas e colinas. Finalmente viu-se aprisionado no meio de uma grade forte. Tinha sido apanhado e acorrentado a um elefante domesticado. Mais tarde, aquele levava-o ao local de trabalho.

Depois disso, o Nandi tinha tomado parte, muitas vezes, na caça aos animais ferozes, e ainda tinha num dos lados, as cicatrizes causadas por um tigre enfurecido. Ele tinha de ajudar a apanhar outros elefantes nas florestas sombrias, e ensinar-lhes, ele próprio, como se pode fazer toda a espécie de trabalho. O Nandi nunca mais tinha tido o desejo de voltar para a selva. Ninguém lho tinha impedido. Ele agora já era grande e forte, e trabalhava sem correntes nem arreios.

Era bem tratado. Gostava do banho nocturno no rio e do jantar, que se compunha de folhas frescas. O dono também gostava dele, mostrando-se sempre amigável.

Mas, actualmente, o que ele mais amava era o rapazinho moreno, que lhe dava bananas e o acolhia, à vinda do trabalho, com alegria infantil. Os olhos do velho Nandi brilhavam, quando o amiguinho corria para ele.

Quando o menino cresceu, passou a sentar-se sobre o dorso grande e forte do Nandi. Em toda a Índia, não havia elefante mais orgulhoso da sua carga.

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