Uma visita nocturna divertida

Criado por Narrador
cartoon-bats-full-moon-15719545

A mãe estava sozinha em casa, com as crianças, havia já alguns dias. Uma amiga veio visitá-la, durante esse tempo, a fim de descansar um pouco naquela bela região de ar puro. A amiga da mãe foi cedo para a cama; pouco depois da criançada. Finalmente, veio também a mãe, que se foi deitar, sem fazer barulho, numa cama perto da da amiga. Das crianças, só a mais pequena dormia num cantinho desse Quarto, numa caminha de madeira. Em breve se apagou a luz e toda a casa ficou em silencio. Através da janela aberta, entrava o magnifico ar das montanhas e a vasta planície que se estendia até às altivas colinas repousava em silêncio completo.

A mãe ainda estava acordada, mas com os olhos fechados. Silêncio infinito, depois de um dia preenchido. Que alivio!

Esse alívio durou cerca de cinco minutos, e então, de repente, alguma coisa se moveu perto da cabeça da mãe. “Ah. a mão da minha filha…” A mãe quis agarrar, mas então, qualquer coisa viva lhe girou à volta da cabeça, tocando-lhe com as asas.

“Maria!” chamou a mãe a meia-voz, “por favor, acende a luz depressa, pareceu-me que está um pássaro na minha cama.” A resposta não se fez esperar. Assim que a luz se acendeu, o “pássaro” começou a voar em círculos à volta da lâmpada, umas vezes de perto, outras afastando se, mas sempre á volta, sempre à volta.

As duas senhoras não eram capazes de saber de que espécie de pássaro se tratava. Tentaram apanhá-lo. Mas o bicho era tão ágil, que nem pensar nisso. Apagaram de novo a luz, mas o ser misterioso voou ainda mais para longe, no quarto. “Temos de o apanhar, custe o que custar, senão não vamos conseguir dormir”, declarou a mãe.

“Talvez com o chapéu do pai”, disse ela, renovando imediatamente a caçada à visita indesejada. Reunindo os esforços, certamente que conseguiriam apanhar o pequeno desmancha-prazeres! Mas nada disso aconteceu. As senhoras subiram para cima das camas, uma vez com as janelas abertas, outra com as janelas fechadas — em todo o caso isso não tinha importância naquela região isolada. Mas o “aviãozinho” ágil continuava a voltear incansavelmente.

De vez em quando voava mesmo rente ao tecto do quarto. Finalmente, após cerca de quinze minutos do voo ininterrupto, o intruso pareceu um tanto cansado. De repente, pousou exactamente no canto, em cima da cama da Anita. “Afinal, quem és tu?” ria a mãe. As duas amigas fixaram-no bem: “é um morcego!” exclamou a Maria. E agora é que as duas senhoras tinham mesmo de expulsar o animal. Ele estava muito quieto lá no canto.

Mas quando a mãe se aproximou cautelosamente com o chapéu, o morcego fez um voo directo até à cara da Anita, pousando-lhe em cima do narizinho. A criança acordou sobressaltada, mas a mãe virou a suavemente para o outro lado, e ela continuou a dormir. Entretanto o bicho continuava à volta da luz. Depois de múltiplas perseguições, as duas amigas conseguiram finalmente, por o visitante nocturno pela janela fora.

Fartaram-se de rir depois. E na manhã seguinte, como os quatro irmãos da Anita ficaram contentes ao ouvir a história.

Mas isto ainda não foi o fim. Alguns dias mais tarde, o morcego entrou noutro quarto incomodando um outro hóspede. De manhã, encontraram o bichito bem escondido numa meia de lã. Algumas semanas mais tarde, veio de novo – era o mesmo, certamente.

Depois da perseguição habitual, ele instalou-se, provavelmente desorientado, no meio da colcha da cama. Então pegaram na colcha pelas quatro pontas, e trouxeram-na, juntamente com o candeeiro e o morcego, para um quarto desocupado, onde puseram o morcego cuidadosamente no chão. Assim as crianças puderam observá-lo.

De madrugada, os pais pegaram na colcha com o morcego, e na lâmpada, levaram-no ate à janela, e deixaram-no voar. “Agora está outra vez livre; mas deixa-nos em paz!” disse o pai. E a mãe tirou imediatamente a colcha, para sacudir alguns grãozitos e lavar duas pequenas nódoas. A partir dessa noite, demasiado sossegada para o morcego, ele preferiu ficar lá fora, para poder voar em círculos mais largos e apanhar toda a espécie de borboletas e escaravelhos imprudentes. Esta é a principal ocupação dos morcegos, e eles desenvolvem nisso uma espantosa aptidão.

Os morcegos são dotados de nervos muitíssimo subtis, a fim de poderem, mesmo na mais densa escuridão e sem embater em qualquer coisa, voar e passar. Eles não se perdem no caminho. De dia, dormem em recantos escuros, de cabeça para baixo, dependurados num dedo do pé. Felizmente é muito raro visitarem as pessoas.

Comentários