Charles Perrault




Era uma vez uma linda menina que vivia numa aldeia do bosque e de quem todos gostavam muito por ser muito boa e simpática.
Um dia a mãe fez-lhe um capucho vermelho para ela levar para a escola. No trajecto e como era hábito, a menina cumprimentava os animaizinhos, pois conhecia-os e era amiga de todos. Ao vê-la tão bonita com o seu novo capucho eles começaram a tratá-la por Capuchinho Vermelho.
Um dia a mãe chamou-a e disse-lhe:
– Tens aqui uma cesta com bolos e um pote de mel para levares à avózinha que não anda muito bem de saúde. Toma cuidado: não te detenhas no caminho e não fales com desconhecidos.
– Podes ficar descansada, mãezinha, farei como dizes – prometeu Capuchinho Vermelho.
Ia ela muito contente quando, a certa altura, encontrou um lobo. Este, com uma voz muito melada, disse-lhe:
– Olá, bela Capuchinho! Nem imaginas como desejava conhecer-te.
A menina ao ouvir isto ficou muito surpreendida, pois achou que o lobo não era tão feroz como toda a gente dizia. Apesar disso respondeu-lhe:
– O senhor lobo desculpe-me mas a minha mãe proibiu-me de falar com desconhecidos.
– Desconhecido, eu? Sou a mais popular de todas as criaturas do bosque, não deves fazer caso do que dizem. Isso é treta das más línguas. Onde vais com essa cesta?
– Vou ver a minha avózinha que está doente e levar-lhe bolos e um pote de mel.
– E onde vive a tua avózinha?
– Vive para lá do moinho, numa casa à beira do lago, junto a uma grande árvore.
O lobo já com água na boca pensou:
– Que maravilha de petiscos, devem ser tão bons, tenho que me apoderar de ambas. Acompanhou Capuchinho e a certa altura disse-lhe:
– Penso que também eu deveria visitar a tua avózinha, uma vez que ela está tão adoentada, não te parece?
– Sim, sim, acho que ela ficaria muito contente.
– Olha, tu vais por este caminho e eu vou por aquele. Veremos quem chega primeiro, – disse-lhe o lobo.
– Como eu sou esperto e como foi fácil convencê-la, pensou o lobo, ela vai pelo caminho mais distante e assim eu terei tempo de chegar antes.
O lobo correu então em direcção à casa da avó de Capuchinho Vermelho. Uma vez lá chegado bateu à porta e a avózinha perguntou:
– Quem é?
– É o Capuchinho Vermelho, respondeu-lhe o lobo, trago-lhe bolos e um pote de mel; abra a porta por favor.
– Entra, minha netinha, a porta está só no trinco.
O lobo abriu a porta e sem dizer nada foi ao quarto da avózinha e comeu-a. A seguir vestiu as suas roupas, enfiou a touca, colocou no nariz os óculos da avózinha e meteu-se dentro da cama, cobrindo-se com uma manta.
Capuchinho, depois de muito caminhar, pois viera pelo caminho mais longo, chegou finalmente a casa da avó; ficou muito surpreendida por encontrar a porta aberta.
– Bom dia. Está alguém em casa? – perguntou ao entrar.
Como ninguém lhe respondeu, dirigiu-se ao quarto e aproximando-se da cama, não reconheceu o lobo, pois ele estava disfarçado com as roupas da avózinha. Notou contudo que havia algo diferente e disse:
– Avózinha estás com umas orelhas tão grandes!
– São para te ouvir melhor.
– E tens uns olhos tão grandes!
– São para te ver melhor.
– E os teus braços são tão grandes!
– São para te abraçar melhor.
– E tens uma boca tão grande!
– É para te comer.
E nisto o lobo saltou da cama e engoliu a pobre Capuchinho Vermelho, que nem teve tempo de ter medo. Voltou depois a deitar-se e adormeceu profundamente, ressonando muito alto.
Um caçador que por ali passava, ao ouvir todo aquele barulho, pensou:
– Esta velhinha não ressonava desta maneira! Vou mas é ver o que se passa.
Entrou no quarto e deparou com o lobo a dormir profundamente.
– Até que enfim que te encontrei. Procuro-te à tanto tempo!
E quando ia a pegar na arma lembrou-se que o malvado podia ter comido a avó e que talvez ainda a pudesse salvar. Pegou na faca e… zás, abriu-lhe a barriga e de lá saiu Capuchinho Vermelho. Logo a seguir saiu a avózinha, ainda com vida mas respirando com muita dificuldade.
Depois de contarem ao caçador o que se tinha passado, Capuchinho saiu a correr e foi apanhar pedras, encheu com elas a barriga do lobo e a avó coseu a pele.
O lobo, quando acordou e viu o caçador, que disparou para o chão, fugiu a correr em direcção ao lago, e quando se atirou à água para fugir a nado, com o peso das pedras foi parar ao fundo e afogou-se, com o que até nada se perdeu, pois ele era um lobo mau a valer.
Então a avózinha disse para a Capuchinho:
– Vai à dispensa e arranja alguma coisa para o lanche do nosso salvador.
Depois de ter comido, o caçador disse:
– Vamos, Capuchinho, vou acompanhar-te a casa, não vá andar por aí outro lobo malvado.
Ao chegaram a casa, Capuchinho Vermelho contou à mãe todas as peripécias que lhe tinham acontecido, pedindo-lhe desculpa por ter desobedecido às suas recomendações e prometendo nunca mais o voltar a fazer.

Charles Perrault nasceu a 12 de Janeiro de 1628, na capital francesa, Paris. Aluno dedicado, formou-se em direito, no ano de 1651 e foi um dos criadores da Academia Francesa de Ciências. Em 1671, foi convidado para participar na Academia Francesa de Letras. Perrault ficou conhecido após publicar histórias populares e com uma linguagem simples, que faziam parte do folclore europeu.

O seu livro mais famoso é o “Contos da Mãe Gansa”, que foi publicado em 1697. Nele havia os contos “A gata borralheira”, “O gato de botas”, “Chapéuzinho vermelho”, “Barba Azul”. O livro chama a atenção pelo fato de os personagens principais, apesar de pequenos e indefesos, vencerem o mal usando a inteligência. É notável o confronto entre o bom e o mau, os bonitos e feios, os fortes e os fracos. Foi com esta obra que Perrault inaugurou o género conhecido por “Contos de Fadas”.

Perrault, membro da alta burguesia, escrevia de forma simples e fluente, as suas histórias eram adaptações de outras histórias, mas que continham discretamente conceitos morais. Quase 200 anos depois, as suas histórias seriam re-escritas por dois irmãos, tornando-se conhecidas mundialmente. Perrault faleceu em maio de 1703

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