Fábulas De La Fontaine




Dos miseráveis
Nunca zombeis.
Quem diz que sempre
Feliz sereis?

Mais de um exemplo
Do sábio Esopo
Conspira em prova
Do nosso escopo.

O que em meus versos
Agora cito
Foi noutros termos
Por ele escrito.

Tinham num campo
Lebre e perdiz
(Ao que parece)
Vida feliz.

Uns cães se achegam
Do lar tranquilo;
Vai longe a lebre
Buscando asilo.

Perde-lhe o rasto
Toda a matilha,
E nem Lindóia
Lhe dá na trilha.

De quente corpo
A emanação
Ao faro a indica
De um fino cão.

Filosofando,
Nelusco arteiro,
Conhece a lebre
Só pelo cheiro.

No encalço aperta
Da fugitiva;
Não quer que a presa
Lhe escape viva.

“A caça foi-se
(Diz Carabi);
Acreditai-me;
Nunca menti”.

Cansada, a lebre
Fugiu, correndo;
Ao pé da furna
Caiu, morrendo.

Diz, por motejo,
A companheira:
“Pois não campavas
De ser ligeira!

Teus pés velozes
Pra que prestaram
Se dos molossos
Te não livraram?”

Enquanto zomba
Da desgraçada
Dá-lhe a matilha
Rude assaltada.

Fia das asas
O salvamento.
Louca esperança!
Vão pensamento!

Do açor as garras,
Mísera, esquece!
Mal ergue o vôo,
Nelas perece.

Jean La Fontaine nasceu em uma pequena cidade da região de Champagne, chamada Chateau-Thierry, durante a Idade Moderna. Filho de um inspetor de águas e florestas, estudou teologia em Paris. Por gostar muito de literatura, Jean escreveu contos, poemas e fábulas.

Ficou conhecido após publicar um livro chamado “Fábulas Escolhidas”, em 1668. No livro, havia 124 fábulas, eram histórias de animais que, sempre ao final, continha um lição de moral. La Fontaine resgatou fábulas do grego Esopo e do romano Fedro, e também criou suas próprias, as mais conhecidas são “A formiga e a cigarra” e “A raposa e as uvas”.

Em 1654, entrou para o mundo da literatura. Até 1694, foram lançadas mais 11 coletâneas. No prefácio da primeira coletânea, deixou uma mensagem para os seus leitores: “ Sirvo-me de animais para instruir os homens”. Em 1695, La Fontaine morreu e foi considerado o pai da fábula moderna. Até hoje os seus ensinamentos são passados.

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