Fábulas De La Fontaine




Quebrando a peia,
Fofo sendeiro
Que era moleiro;
Dentro de um bosque,
O fanfarrão
Achou a pele
D’alto leão;
Em toda a parte
Dela vestido,
Por leão fero
Era temido;
Homens e brutos
O respeitavam,
Fugiam logo
Que o divisavam:
Mas das orelhas
Uma pontinha
De fora ao burro
Ficado tinha;
Foi visto acaso
Pelo moleiro;
Que julgou logo
Ser o sendeiro;
Indo-lhe ao lombo
Com um cajado,
Puniu o arrojo
Do mascarado;
Do tolo rindo,
Despiu-lhe a pele,
Pôs-lhe uma albarda
E montou nele.
Tal entre os homens
Mil se conhecem,
Os quais são uns,
E outros parecem,
Despem-lhe a pele
Que os faz troantes,
Ficam sendeiros
Como eram dantes.

Jean La Fontaine nasceu em uma pequena cidade da região de Champagne, chamada Chateau-Thierry, durante a Idade Moderna. Filho de um inspetor de águas e florestas, estudou teologia em Paris. Por gostar muito de literatura, Jean escreveu contos, poemas e fábulas.

Ficou conhecido após publicar um livro chamado “Fábulas Escolhidas”, em 1668. No livro, havia 124 fábulas, eram histórias de animais que, sempre ao final, continha um lição de moral. La Fontaine resgatou fábulas do grego Esopo e do romano Fedro, e também criou suas próprias, as mais conhecidas são “A formiga e a cigarra” e “A raposa e as uvas”.

Em 1654, entrou para o mundo da literatura. Até 1694, foram lançadas mais 11 coletâneas. No prefácio da primeira coletânea, deixou uma mensagem para os seus leitores: “ Sirvo-me de animais para instruir os homens”. Em 1695, La Fontaine morreu e foi considerado o pai da fábula moderna. Até hoje os seus ensinamentos são passados.

ass lion skin - O Burro vestido com a pele do Leão O Burro vestido com a pele do Leão

Quebrando a peia, Fofo sendeiro Que era moleiro; Dentro de um bosque, O fanfarrão Achou a pele D’alto leão; Em toda a parte Dela vestido, Por leão fero Era temido; Homens e brutos O respeitavam, Fugiam logo Que o divisavam: Mas das orelhas Uma pontinha De fora ao burro Ficado tinha; Foi visto acaso Pelo moleiro; Que julgou logo Ser o sendeiro; Indo-lhe ao

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pomba e formiga - A Pomba e a Formiga A Pomba e a Formiga

Enquanto a sede uma pomba Vê por um triste desastre Cair n’água uma formiga. Naquele vasto oceano A pobre luta, e braceja, E vir à margem da fonte Inutilmente deseja. A pomba, por ter dó dela, N’água uma ervinha lhe lança; Neste vasto promontório A triste salvar-se alcança. Na terra a põe uma aragem; E livre do precipício, Acha logo ocasião De pagar o

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Uma lebre corria a não mais poder em direção à sua toca, fugindo à perseguição da águia. E em sua desabalada carreira, passou pela casa do escaravelho. Não era propriamente uma casa de segurança, mas, na falta de algo melhor, resolveu a fugitiva homiziar-se lá mesmo. Já se precipitava a águia sobre a frágil guarida, quando o escaravelho, com intenção de salvar a agora

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aguia - A Águia e o Mocho A Águia e o Mocho

Puseram termo águia e mocho As antigas dissensões, A ponto de se abraçarem Em cordiais efusões. Ao firmar os compromissos Um invoca a fé real, Outro os foros comprovados De môcho honrado e leal. Por juramento prometem Poupar mutuamente os ninhos. Pergunta o pássaro triste: “Conheceis os meus filhinhos?” “nunca os vi (volve a rainha)”. Torna a ave de Minerva: “Ai de mim, míseros

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Conta-se que uma raposa esfomeada chegou a um bosque onde, ao lado de uma árvore, havia um tambor, que soava furiosamente cada vez que, ao sopro do vento, os ramos da árvore se moviam e batiam nele. Ao ouvir tal ruído, a raposa dele se aproximou e, já em frente ao tambor, pensou: “Este deve conter muita carne e muita gordura.” Lançou-se sobre ele

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Quem quer embaçar os outros Muita vez fica embaçado; Afirmando esta sentença Merlim foi inspirado. Um rato, a estourar de gordo, Pois quaresmas não guardava, À margem de uma lagoa Seus pesares espalhava. Certa rã se lhe aproxima E lhe diz no seu calão; “Vinde a casa visitar-me; Dar-vos-ei uma função!” O rato aceita, de pronto, Sem cerimónia fazer; As vantagens do passeio Põe-se

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Panela de ferro propôs à de barro Que juntas fizessem pequena excursão; Mas esta escusou-se, julgando prudente Ficar no seu posto, juntinho ao fogão. “Um toque (diz ela) reduz a pedaços Meu todo argiloso, tão frágil e inerme; No entanto, a senhora não teme os embates, Pois é protegida de rija epiderme.” PANELA DE FERRO “Prometo-te amparo; irei afastando Os corpos que danos te

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mosca e formiga - A Mosca e a Formiga A Mosca e a Formiga

Uma mosca importuna contendia Com a negra formiga, e lhe dizia: “Eu ando levantada lá nos ares, E tu por esse chão sempre a arrastares: Em palácios estou de grande altura, Tu debaixo da terra em cova escura: A minha mesa é rica e delicada; Tu róis grãos de trigo e de cevada; Eu levo boa vida, e tu, formiga, Andas sempre em trabalho

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O capitão raposo Ia caminhando ao lado Do seu amigo bode, D’alta armação dotado. Este não via um palmo Diante do nariz; Era formado aquele Nas burlas mais subtis. Ungidos pela sede, Lograram penetrar Num poço, cujas águas Sorveram a fartar. Disse o raposo ao bode: “O que fazer agora? Beber não foi difícil; E sim vir para fora. As tuas mãos e pontas

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La rana que quizo ser grande como el buey - A Rã e o Touro A Rã e o Touro

Uma tarde, andava um grande Touro passeando ao longo da água, e vendo-o a Rã tão grande, tocada de inveja, começou a comer, e a inchar-se com vento, e perguntava às outras rãs se era já tão grande como parecia? Responderam elas: Não!!! Pensa a Rã segunda vez, e põe mais força por inchar; e aborrecida por faltar muito para se igualar o Touro

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