Hans Christian Andersen




Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa — mas tinha de ser uma princesa verdadeira. Por isso, foi viajar pelo mundo fora para encontrar uma, mas havia sempre qualquer coisa que não estava certa. Viu muitas princesas, mas nunca tinha a certeza de serem genuínas havia sempre qualquer coisa, isto ou aquilo, que não parecia estar como devia ser. Por fim, regressou a casa, muito abatido, porque queria uma princesa verdadeira. Uma noite houve uma terrível tempestade; os trovões ribombavam, os raios rasgavam o céu e a chuva caía em torrentes — era apavorante. No meio disso tudo, alguém bateu à porta e o velho rei foi abrir. Deparou-se com uma princesa. Mas, meu Deus! O estado em que ela estava! A água escorria-lhe pelos cabelos e pela roupa e saía pelas biqueiras e pela parte de trás dos sapatos. No entanto, ela afirmou que era uma princesa de verdade.
— Bem, já vamos ver isso — pensou a velha rainha. Não disse uma palavra, mas foi ao quarto de hóspedes, desmanchou a cama toda e pôs uma pequena ervilha no colchão. Depois empilhou mais vinte colchões e vinte cobertores por cima. A princesa iria dormir nessa cama.
De manhã, perguntaram-lhe se tinha dormido bem.
— Oh, pessimamente! Não preguei olho em toda a noite! Só Deus sabe o que havia na cama, mas senti uma coisa dura que me encheu de nódoas negras. Foi horrível.
Então ficaram com a certeza de terem encontrado uma princesa verdadeira, pois ela tinha sentido a ervilha através de vinte edredões e vinte colchões. Só uma princesa verdadeira podia ser tão sensível.
Então o príncipe casou com ela; não precisava de procurar mais. A ervilha foi para o museu; podem ir lá vê-la, se é que ninguém a tirou.

Filho de um sapateiro e vindo de uma família pobre, Hans Christian Andersen nasceu a 2 de abril de 1805. A família, que tinha apenas um quarto como moradia, não atrapalhou a vida e a carreira de Andersen, que desde cedo aprendeu a ler e gostava de ouvir histórias. Aos 14 anos, foi morar em Copenhague, onde trabalhou como bailarino e ator. Em 1828, entrou na Universidade de Copenhague; com 23 anos, já publicava livros de romances para adultos.

Andersen só passou a ser reconhecido publicamente com a divulgação das suas histórias infantis. As mais conhecidas foram: “O patinho feio”, “O soldadinho de chumbo”, “A pequena sereia” e “João e Maria”. Por ter sido uma criança desajeitada e alta de mais para a sua idade, dizem que “O Patinho feio” foi inspirado na sua própria infância. Através das suas histórias, era trabalhado o comportamento cristão, os valores éticos e morais e direitos iguais entre os homens. Nos anos de 1835 a 1842, foram lançados seis volumes de “Contos Infantis”. Em 1875, Andersen faleceu em Copenhague.

Foi considerado o precursor da literatura infantil mundial. No dia do seu aniversário, 2 de abril, é comemorado o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Entre os prêmios internacionais, o mais importante leva o seu nome, a medalha Hans Christian Andersen. O prémio é dado pela International Board on Books for Young People – IBBY.

princess - A Princesa e a ervilha A Princesa e a ervilha

Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa — mas tinha de ser uma princesa verdadeira. Por isso, foi viajar pelo mundo fora para encontrar uma, mas havia sempre qualquer coisa que não estava certa. Viu muitas princesas, mas nunca tinha a certeza de serem genuínas havia sempre qualquer coisa, isto ou aquilo, que não parecia estar como devia ser. Por

Ver mais…


patinho feio - O Patinho Feio O Patinho Feio

Numa bela tarde de Verão, a mãe pata vigiava sorridente os ovos da sua ninhada que estavam prestes a estalar: “Cric, crac”, fez o primeiro ovo. “Cric, crac”, fizeram, uns após outros, todos os ovos da ninhada. As cascas partiram e cinco belos patinhos amarelos saíram cá para fora. “Como sois belos!”, disse a mãe. Mas, faltava um ovo! Era maior e mais escuro

Ver mais…


pequena sereia - A Pequena Sereia A Pequena Sereia

Muito longe da terra, onde o mar é muito azul, vivia o povo do mar. O rei desse povo tinha seis filhas, todas muito bonitas, e donas das vozes mais belas de todo o mar, porém a mais moça se destacava, com sua pele fina e delicada como uma pétala de rosa e os olhos azuis como o mar. Como as irmãs, não tinha

Ver mais…


A Roupa do Rei

Era uma vez um tão vaidoso de sua pessoa que só faltava pisar por cima do povo. Certa vez procuram-no uns homens que eram tecelões maravilhosos e que fariam uma roupa encantada, a mais bonita e rara do mundo, mas que só podia ser enxergada por quem fosse filho legítimo. O rei achou muita graça na proposta e encomendou o traje, dando muito dinheiro

Ver mais…


duende mercearia - O Duende da Mercearia O Duende da Mercearia

Era uma vez um estudante, um autêntico estudante; vivia num sótão e não possuía nada. E era uma vez um merceeiro, um autêntico merceeiro; vivia no rés-do-chão e era dono do prédio inteiro. E foi por isso que o duende decidiu morar com o merceeiro. Além disso, todos os Natais recebia uma tigela de papa de aveia com um grande pedaço de manteiga lá

Ver mais…


familia feliz - A Família Feliz A Família Feliz

A maior folha verde que temos neste país é com certeza a folha da bardana. Uma menina podia usá-la como avental; se a pusesse na cabeça quando chovia, faria de guarda-chuva — é tão grande como isso. Nenhuma bardana cresce sozinha; não, onde há uma, há sempre muitas outras. São um lindo espetáculo — e todo esse esplendor costumava ser a comida dos caracóis.

Ver mais…


boneca - Dança, Dança, Bonequinha Dança, Dança, Bonequinha

— Oh, não passa de uma cantiguinha idiota para criancinhas pequeninas — declarou a tia Malle. — Por muito boa vontade que tenha, não vejo qualquer significado na Dança, dança, bonequinha. É uma palermice, um disparate! Mas a pequena Amália via grande significado na cantiga. Ela tinha só três anos, mas já sabia brincar às bonecas e estava a educar as suas para serem

Ver mais…