Hans Christian Andersen




A Roupa do ReiEra uma vez um tão vaidoso de sua pessoa que só faltava pisar por cima do povo. Certa vez procuram-no uns homens que eram tecelões maravilhosos e que fariam uma roupa encantada, a mais bonita e rara do mundo, mas que só podia ser enxergada por quem fosse filho legítimo.

O rei achou muita graça na proposta e encomendou o traje, dando muito dinheiro para sua feitura. Os homens trabalharam dia e noite num tear mágico, cozendo com linha invisível, um pano que ninguém via.

O rei mandava sempre ministros visitarem a oficina e eles voltavam deslumbrados, elogiando a roupa e a perícia dos alfaiates. Finalmente, depois de muito dinheiro gasto, o rei recebeu a tal roupa e marcou uma festa pública para ter o gosto de mostrá-la ao povo.

Os alfaiates compareceram ao palácio, vestindo o rei de ceroulas, e cobriram-no com as peças do tal traje encantado, ricamente bordado mas invisível aos filhos bastardos.


A Roupa do ReiO povo esperou lá fora pela presença do rei e quando este apareceu todos aplaudiram com muito entusiasmo. Os alfaiates, aproveitando a festa, desapareceram no meio do mundo.

O rei seguiu com o cortejo, mas, atravessando uma das ruas pobres da cidade, um menino gritou:

O Rei está de ceroulas!

Todo mundo ali presente reparou e viu que realmente o rei estava apenas de ceroulas. Uma grande e entrondosa vaia foi o que se ouviu. O rei correu para o palácio morto de vergonha. Desse dia em diante corrigiu-se seu orgulho. E enquanto durou seu reino foi um rei justo e simples para o seu povo.


Nota:
Conto da idade média compilado pela primeira vez na Espanha por Dom Juan Manuel, século XV, em um livro intitulado “Libro de Patronio ou do Conde Lucanor”. Anderson o contista, mais tarde o modifcou e criou sua própria versão da história.

Filho de um sapateiro e vindo de uma família pobre, Hans Christian Andersen nasceu a 2 de abril de 1805. A família, que tinha apenas um quarto como moradia, não atrapalhou a vida e a carreira de Andersen, que desde cedo aprendeu a ler e gostava de ouvir histórias. Aos 14 anos, foi morar em Copenhague, onde trabalhou como bailarino e ator. Em 1828, entrou na Universidade de Copenhague; com 23 anos, já publicava livros de romances para adultos.

Andersen só passou a ser reconhecido publicamente com a divulgação das suas histórias infantis. As mais conhecidas foram: “O patinho feio”, “O soldadinho de chumbo”, “A pequena sereia” e “João e Maria”. Por ter sido uma criança desajeitada e alta de mais para a sua idade, dizem que “O Patinho feio” foi inspirado na sua própria infância. Através das suas histórias, era trabalhado o comportamento cristão, os valores éticos e morais e direitos iguais entre os homens. Nos anos de 1835 a 1842, foram lançados seis volumes de “Contos Infantis”. Em 1875, Andersen faleceu em Copenhague.

Foi considerado o precursor da literatura infantil mundial. No dia do seu aniversário, 2 de abril, é comemorado o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Entre os prêmios internacionais, o mais importante leva o seu nome, a medalha Hans Christian Andersen. O prémio é dado pela International Board on Books for Young People – IBBY.

A Roupa do Rei

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