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Era uma vez um homem que tinha uma filha e que casou com uma mulher que também tinha uma filha. A madrasta tratava a enteada muito mal.
Um dia a menina viu vir um passarinho verde muito bonito, o passarinho falou e disse-lhe:
– Arranja-me uma bacia de água, outra de leite e um laço de fita e fugiu.
Ela assim fez e o passarinho veio e caiu no laço, banhou-se na bacia de água, depois na bacia de leite e transformou-se em príncipe. O príncipe disse-lhe que era El-Rei Pássaro Verde e que estava encantado.
Mas que se alguma vez contasse o seu segredo perdê-lo-ia, só voltando a encontrá-lo quando rompesse três pares de sapatos de ferro.
No outro dia a madrasta ouviu vozes, espreitou e viu o passarinho verde banhar-se na água e no leite e transformar-se em príncipe.
Ficou cheia de inveja e quando o príncipe se tornou a fazer em passarinho verde, deitou-lhe vidro partido na água sem que a menina desse por isso.
Quando o passarinho verde voltou e foi banhar-se, ficou muito ferido e fugiu.
A menina lembrou-se do que ele lhe tinha dito. Foi ao ferreiro mandar fazer três pares de sapatos de ferro e partiu à procura do príncipe.
Foi andando, andando. Já tinha rompido um par de sapatos quando avistou uma casinha e foi bater à porta.
Apareceu-lhe uma velhinha:
– A senhora sabe dizer-me onde mora El-Rei Pássaro Verde?
– Eu cá não sei, mas a minha filha que é a Lua há-de saber…
Esconda-se aí que ela tem muito mau génio.

Escondeu-se a menina, e dali a pouco tempo chegou a Lua.
– Cheira-me aqui a fôlego vivo – disse ela muito zangada.
– Ó filha, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde morava El-Rei Pássaro Verde.
– Eu só ando de noite, à hora em que toda a gente dorme com as portas e as janelas fechadas. O vento é quem há-de saber.

Ao outro dia a velhinha deu à menina o recado da Lua e entregou-lhe uma bolota, com a recomendação de só a abrir quando precisasse muito.

Pôs-se a menina outra vez a caminho e quando tinha rompido o segundo par de sapatos de ferro, avistou outra casinha.
Bateu à porta e uma velhinha veio abrir.
– A senhora sabe dizer-me onde mora El-Rei Pássaro Verde?
– Eu cá não sei, mas o meu filho Vento que anda por todo o mundo há-de saber. Mas esconda-se porque ele tem muito mau génio.
A menina escondeu-se e dali a pouco chegou o Vento a soprar:
– Cheira-me aqui a fôlego vivo.
– Ó filho, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde mora El-Rei Pássaro Verde.
– Quando eu apareço, todos fecham as portas e as janelas de modo que não sei onde está. Quem deve saber é o Sol.
No dia seguinte a velhinha deu à menina o recado do seu filho Vento e entregou-lhe uma noz coma recomendação de só a abrir quando muito precisasse.
A menina recomeçou a caminhar e quando já tinha andado tanto que tinha rompido o terceiro par de sapatos, viu ao longe outra casinha.
Bateu à porta e uma velhinha veio ver quem era.
– A senhora sabe dizer-me onde mora El-Rei Pássaro Verde?
– Eu cá não sei, mas o meu filho que é o Sol há-de saber. Mas esconda-se até que ele chegue.
A menina fez o que a velhinha lhe dizia e dali a pouco chegou o Sol.
– Cheira-me aqui a fôlego vivo.
– Ó filho, foi uma menina que me veio perguntar se eu sabia onde morava El-Rei Pássaro Verde.
– El-Rei Pássaro Verde mora muito longe daqui e está em perigo de vida. Ninguém sabe curar a sua doença.
No outro dia, a velhinha deu à menina as notícias que o seu filho Sol lhe tinha dito e entregou-lhe uma castanha com a recomendação de não a abrir senão quando muito precisasse.
E a menina pôs-se outra vez a caminhar.
Quando anoiteceu, deitou-se debaixo de uma árvore onde as rolas faziam ninho e antes de adormecer ouviu as rolinhas falar:
– Então que notícias há de El-Rei Pássaro Verde?
– El-Rei Pássaro Verde pode curar-se?
– Pode, pode. Basta que alguém junte algumas das nossas penas, as queime e com as cinzas polvilhe as suas feridas durante três noites a fio.
A menina foi o que quis ouvir. Logo que as rolas adormeceram, apanhou as penas caídas no chão e fez como as rolas tinham dito.
De manhã pôs-se a caminho da cidade.
Quando chegou diante do palácio, sentou-se no chão e abriu a bolota. Apareceu uma dobadoira de prata com meadas de oiro, a prenda mais rica que se podia imaginar. A menina pôs-se a dobar.
A rainha mãe chegou à janela e vendo aquela dobadoira tão bonita, mandou um criado perguntar à menina se a queria vender.
– Dar sim, vender não; mas sua Majestade há-de deixar-me ficar esta noite ao pé do príncipe.
A rainha aceitou e a menina, de noite, polvilhou as feridas do príncipe com as cinzas.
No dia seguinte foi sentar-se outra vez diante do palácio e abriu a noz.
Saiu dela uma roca de oiro cravejada de brilhantes, com um fuso de prata e a menina pôs-se a fiar.
Veio a rainha à janela e vendo a roca, mandou o criado saber se ela a queria vender.
– Dar sim, vender não; mas sua Majestade há-de consentir que fique outra noite ao pé do príncipe.
A rainha disse que sim e a menina, sem ninguém ver, polvilhou as feridas do príncipe com as cinzas que levava.
Pela terceira vez se sentou em frente do palácio e abriu a castanha, donde saiu uma galinha de oiro com pintainhos de prata.
Quando a rainha a viu, quis logo que a menina lha vendesse, mas ela respondeu:
– Dar sim, vender não; mas sua Magestade há-de deixar que eu fique mais esta noite ao pé do príncipe.
Assim foi; pela terceira vez a menina deitou o resto das cinzas sobre as feridas do príncipe, que abriu os olhos e logo a reconheceu.
A menina contou-lhe tudo quanto tinha acontecido e El-Rei Pássaro Verde casou com ela e foram muito felizes. E ainda lá estão.

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